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23 de junho de 2021

A CHAVE DO SOL: lançando seis discos de uma vez após 33 anos de silêncio.


Tendo já tocado na PATRULHA DO ESPAÇO, PEDRA, LINGUA DE TRAPO, PITBULLS ON THE CRACK etc, além de já ter colaborado em diversos sites e revistas (com a Bass Player), o veterano do Rock'n'Roll paulista Luiz Domingues é sempre lembrado por sido baixista do grupo A CHAVE DO SOL (1982-1987) e da dissidência do mesmo chamada A CHAVE / THE KEY (1988-1990). Após trinta e três anos sem lançar discos,  A CHAVE DO SOL soltou entre 2020 e 2021 SEIS (!!!) cd's piratas "oficiais", no formato bootleg, só com raridades! As bolachinhas contém músicas inéditas, demos, shows ao vivo e releituras de outros artistas. São álbuns que irão fazer a alegria de todos os fãs do extinto grupo de Hard Rock.



Luiz Domingues em foto de Anna Fuccia com a discografia d' A CHAVE DO SOL, oficial e pirata, transformada em almofadas promocionais.

Para falar e explicar aos fãs mais sobre esses discos piratas (que originalmente seriam lançados com almofadas comemorativas da banda e um show de reunião), Luiz falou com Will Dissidente do blog: A CHAVE DO SOL. 

Esta conversa é a segunda parte deste bate-papo. Não deixe de ler a primeira parte da entrevista, em que o baixista conta em pormenores como teria sido o show de reunião, impedido pela pandemia e depois pelo trágico falecimento de Rubens Gióia.

http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/entrevista01.html


  


01 - A CHAVE DO SOL havia acabado em dezembro de 1987, lançando seu último disco, o "The Key"  pouco tempo antes. Agora, trinta e três anos depois, vocês tem não só um disco, mas uma série de seis discos na praça e até almofadas da banda seriam disponibilizadas para os fãs no show de reunião. Como é isso de após tanto tempo em silêncio estarem cheios de lançamentos? O que os demais membros acharam dos lançamentos?

Luiz - Bem, eu sempre desejei colocar esse material engavetado na praça. Faltou nesses anos todos, recursos. Em 2015, quando eu comecei a lançar material de vídeo inédito, com o apoio maravilhoso da produtora cultural, Jani Santana Morales, já foi o início desse processo. Quando o Rubens quis gravar um disco novo, eu cheguei a falar com ele sobre tal intento da minha parte, se ele aceitaria me ajudar a colocar o material antigo em disponibilidade, mas ele disse que não, pois preferia investir em material novo. Somente em 2019 eu reuni condições financeiras para resgatar fotos e digitalizar as fitas K7 e só então comecei a produção dos bootlegs.

Mantive em silêncio a minha produção e apenas quando os discos já estavam saindo e as almofadas com as capas dos álbuns, idem, eu mostrei para eles e claro que adoraram a novidade, motivados para lançarmos tudo no show marcado para julho de 2020. Mas aí veio a pandemia e aniquilou essa reunião histórica, pois não obstante a situação caótica em que o país (e o mundo) mergulhou, eis que a fatalidade com o Rubens nos minou definitivamente em torno desse planejamento.

 

02 - O Rubens tinha a ideia de juntar o power trio clássico para gravar oficialmente a música "Saudade", de 1986, que havia ficado sem registro oficial. Já você, Luiz, queria lançar o material antigo gravado de forma demo e bootleg. Qual era a ideia de José Luis? Como vocês resolveram esse impasse?

Bem, o Dinola depois do show na Virada Cultural, ficou arredio em relação a uma reunião com A Chave do Sol. Ele só voltou a se animar com o projeto do show de 2020 e dos bootlegs. Ele não se manifestou sobre regravar "Saudade" em 2015, com eventuais músicas inéditas.


 


03 - Luiz, para quem acompanha o seu trabalho ou o blog: A CHAVE DO SOL sabe que algum do material que é lançado agora havia sido disponibilizado anos atrás em promos do youtube. Todavia, a qualidade do material de agora é infinitamente superior ao de outrora. Tanto a qualidade de áudio dos shows e demos. O mais interessante é o bootleg com a cantora Verônica Luhr que as músicas estavam todas cortadas e agora estão inteiras. Essa melhora do material resgatado deve-se ao trabalho do guitarrista Kim Kehl. Como foi a participação dele e qual sua importância para que esses CD's soem tão bem?

Você observou muito bem! A participação do Kim Kehl no projeto, foi total! Eu havia digitalizado alguma material anteriormente e o lançado no YouTube, como você observou, mas esse trabalho fora feito em estúdios em que eu não mantinha amizade com os seus produtores, portanto, eles fizeram um trabalho padrão, sem tratamento adequado para melhorar o áudio e me trataram como um cliente que vai digitalizar fitas caseiras com interesse familiar em torno de se registrar festas de casamento, batizados, aniversários e festinhas escolares.


Com o apoio do Kim, eu levei as fitas K7 novamente para um novo processo de digitalização e o capricho que ele teve para digitalizar melhor, preparar o áudio e achar soluções para alguns problemas que pareciam insolúveis, foi algo excepcional. A dedicação dele, aliado ao fato dele ser um grande músico e contemporâneo d'A CHAVE DO SOL, portanto a respeitar muito o nosso trabalho, foi fundamental para que o áudio fosse muito melhorado, ao ponto de justificar o seu lançamento em discos Bootlegs.

A gravação daqueles dois shows de 1982 e 1983, gravados de forma ultra precária com a presença da nossa então vocalista, Verônica Luhr, estava muito prejudicada, mas ele fez um milagre ali e conseguiu materializar e imortalizar a passagem dela conosco, portanto, que maravilha para preservar a história da nossa banda. Pena que não haja nenhuma música própria da nossa banda para esse disco e apenas interpretação de releituras, porém, vale o registro da voz dela que era (é) um estouro!



A CHAVE DO SOL em fevereiro de 1987: fase que está registrada no bootleg "Dose Dupla", com as duas demo-tapes registradas por essa formação. Foto de Tereza Pinheiro.

04 - O guitarrista Kim Kehl, além de salvar fitas já à beira de se perderem, assina todo o trabalho gráfico da série de discos piratas oficiais. Você trabalhou junto com ele na arte? Como foi o processo?

Esse foi mais um mérito dele. O Kim é muito criativo e como já havia elaborado capas para alguns álbuns d'OS KURANDEIROS, eu não tive dúvida em lhe pedir essa produção completa igualmente. A criação foi toda dele, eu só opinei em poucos pontos e lhe forneci material de fotos. Havia um projeto de existir um encarte com um texto mais robusto, e escrito de minha parte, mas o encarecimento desse processo inviabilizou-se e assim, optamos em conjunto pela simplicidade no acabamento final.


 


05 - Luiz, agradecemos muito do seu tempo, do seu apoio e de sua dedicação à banda e ao blog: A CHAVE DO SOL. Fica aberto o espaço para você deixar seu recado final para todas e todos que nos acompanham!


Eu agradeço muito a você, Will, pela dedicação em manter o Blog A Chave do Sol no ar, lançar matérias no seu Blog próprio e em veículos em que colabora. Agradeço aos fãs e neste caso, eu me sensibilizo por saber que uma banda que encerrou atividades há quase 34 anos, ainda repercuta dessa forma. Fiquem atentos, que novidades poderão surgir!

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Ficou curioso para conhecer os bootlegs?

Eles vêm no formato envelope simples, sem plástico interno ou externo, e mídia de cdr impresso. Eles podem ser adquiridos nas lojas Baratos Afins e Aqualung da Galeria do Rock ou Blue Sonic da Galeria Nova Barão, todas no centro velho de São Paulo, capital.

Eles também podem ser adquiridos com o baixista Luiz Domingues no e-mail ou pelas redes sociais (logo abaixo):

luizantoniodomingues2@gmail.com


 

Volume 01:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/aovivo1982.html

Volume 02:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/piratininga.html

Volume 03:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/demotape1983.html

Volume 04:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/limeira.html

Volume 05:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/lirapaulistana.html

Volume 06:
http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/dosedupla.html



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Acompanhe o Luiz Domingues pela internet:

http://luiz-domingues.blogspot.com/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com/
http://luizdomingues3.blogspot.com/
https://twitter.com/lad60
https://www.instagram.com/luizantoniodomingues2/
https://www.facebook.com/luiz.domingues.10

Conheça OS KURANDEIROS, banda que Luiz Domingues toca atualmente:

https://www.facebook.com/kurandeiros


 



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A CHAVE DO SOL: discografia

Luz / 18 Horas (Compacto, 7", 1984).
A Chave do Sol (EP, 12", 1985).
The Key (Full Lenght, LP, 1987).
A Chave do Sol (Compilação, Cd, 2001).
Ao Vivo 1982 / 1983 (Bootleg, Cd, 2020).
Demo Tape 1983 (Bootleg, Cd, 2020).
Teatro Piratininga /SP 1983 (Bootleg, Cd, 2020) .
Ao Vivo em Limeira/SP 1983 (Bootleg, Cd, 2021).
Teatro Lira Paulistana 1985 (Bootleg, Cd, 2021).
Dose Dupla 1986 (Bootleg, Cd, 2021).

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31 de maio de 2021

Como teria sido o show de julho de 2020 que a pandemia impediu.

A CHAVE DO SOL teria se apresentado com seu power trio clássico (o baixista Luiz Domingues, o guitarrista Rubens Gióia e baterista José Luiz Dinola) mais um vocalista convidado em julho de 2020 no Teatro Cacilda Becker, na Lapa, em São Paulo. Seria a primeira vez que o veterano baixista Luiz Domingues, ativo profissionalmente no Rock Nacional desde 1976, tocaria com sua antiga e querida banda desde 1987. Havia muita expectativa por parte dos fãs e da própria A CHAVE DO SOL, já que Domingues não havia participado de nenhum evento anterior de reunião.  

A pandemia do novo coronavírus inviabilizou o projeto, que coincidiria com o lançamento de um pacote de seis álbuns bootlegs (discos piratas) com material inédito de estúdio e ao vivo e mais uma coleção de almofadas da banda. Um golpe muito mais duro veio em janeiro do presente ano, 2021, quando o guitarrista e membro fundador Rubens Gióia, infelizmente e de maneira inesperada, veio a falecer.  O blog: A CHAVE DO SOL conversou com Luiz Domingues e fez duas entrevistas: uma contando como seria esse show que reuniria o power-trio clássico do grupo após 34 anos e outra focado no lançamento dos bootlegs. 

Confira agora a primeira parte do bate-papo e saiba em pormenores como se deu todo o processo em volta desse esperado show de reunião que não aconteceu. Quais músicas, formação, ondes e porquês serão respondidos nesta primeira etapa que inclui a intenção de se realizar um show tributo homenageando o guitarrista Rubens Gióia. 



Luiz Domingues se apresentando com EDY STAR + OS KURANDEIROS em 2017. Foto: Carol Mendonça.

01 - Luiz, o Rubens vinha tentando voltar com A CHAVE DO SOL desde os anos 2000. De verdade, a ideia de juntar o power trio clássico surgiu por parte do Rubens em 1989. Nas cinco tentativas anteriores você não estava envolvido, só chegando a ensaiar uma vez para um concerto que não se realizou. Por que então você tinha aceitado voltar em 2020? O fato de ser o convite de um produtor e não uma iniciativa da própria banda ajudou? Seria só um show ou uma volta mesmo?

Luiz: Sim, exatamente foi o que você disse. O Rubens articulou a volta da banda desde 1989. Em cada uma dessas tentativas que ele fez anteriormente, eu estive envolvido com outros projetos e não foi possível participar. Sobre essa tentativa de 1989, por exemplo, eu estava comprometido para gravar o álbum do grupo: THE KEY, "A New Revolution" e lastimei muito a situação, pois eu não gostava esteticamente daquele trabalho e teria sido a melhor solução reativar A CHAVE DO SOL para o meu gosto pessoal e desenvolvimento de carreira, mas eu não poderia deixar o Beto Cruz em uma situação difícil, tendo em vista todo o esforço que ele fez para criar e manter de pé esse trabalho do THE KEY. E também aos companheiros, Rapolli, Ardanuy e Ribeiro, que foram tão solícitos quando montamos essa banda às pressas, portanto foi uma ironia do destino que me impediu de participar da reconstrução d' A CHAVE DO SOL, que teria sido o ideal.

Nos anos posteriores, quando o Rubens produziu a apresentação d' A CHAVE DO SOL no programa "Musikaos", em 2000, eu estava firme com A PATRULHA DO ESPAÇO e ficou inviável.

Em 2005, houve mais uma possibilidade, mas eu estava com o PEDRA, e como a banda ainda gravava o primeiro álbum e não estava preocupada em marcar shows nessa fase, eu aceitei o convite e cheguei a realizar um ensaio com o Rubens e o José Luiz, mas houve uma dificuldade para se convocar um cantor e no caso, teria sido o ator/cantor/instrumentista, André Frateschi, que é um ótimo cantor por sinal, mas este artista não pode participar por uma questão de agenda conflitante. Então um outro cantor foi acionado (não sei o nome desse outro rapaz, que era um contato do Rubens) e este demorou para responder e assim, ante a inviabilidade de se arrumar uma terceira opção de cantor, foi desmarcado o show. Nessa ocasião de 2005, eu queria fazer o show como Power-Trio, a reativar os sons dessa fase da nossa banda, mas os colegas queriam que houvesse um cantor de ofício e com o Beto Cruz a morar nos Estados Unidos e a dificuldade para arrumar um cantor aqui, não deu certo.

Em 2007 foi o show na Virada Cultural de São Paulo, certo? Bem, desta vez eu não quis tocar por estar a atuar com o Pedra, com disco novo sendo gravado etc e tal.

Em 2012, foi o Luiz Calanca que articulou a oportunidade e o Rubens insistiu bastante para eu participar, mas o Dinola não quis e assim eu não desejei participar de uma aparição sem a base primordial unida e assim, o Rubens fez sozinho, como único da formação original, com três músicos muito bons de apoio.

Houveram mais tentativas posteriores. Entre 2015 e 2017, o Rubens me abordou muitas vezes, ele quis inclusive entrar em estúdio para gravar músicas novas, mas desta vez, o Dinola se mostrou sem vontade para participar.

Desta vez de 2020, da minha parte quando surgiu esse convite do Gegê Guimarães, eu senti que seria diferente, pois eu havia participado de reuniões nostálgicas com duas ex-bandas (PATRULHA DO ESPAÇO e PEDRA), bem recentemente e havia gostado da experiência de rever velhos companheiros e tocar as músicas desses respectivos trabalhos. Portanto, despertou-me um sentimento bom sobre promover a mesma celebração com A CHAVE DO SOL. E houve um dado a mais: eu já estava a preparar a produção do lote com discos bootlegs da nossa banda e o show teria sido uma ocasião maravilhosa para promover o lançamento oficial de tais álbuns.



A CHAVE DO SOL em foto promocional de 1985: Rubens Gióia, Fran, Luiz Domingues e José Luiz\ Dinola. Essa formação está no quinto volume dos seis bootlegs lançados, no cd intitulado "Teatro Lira Paulistana 1985".


02 - Para o show de retorno vocês haviam optado por um vocalista que também tocasse guitarra e até teclado, que é o Rodriho Hid, do PEDRA e da PATRULHA DO ESPAÇO. Pela versatilidade do Rodrigo, vocês poderiam mudar alguns arranjos e convenções nas músicas. Que temas iriam tocar, quais seriam as contribuições dele, que músicas teriam alteração ou adição de teclado?


Luiz - Exatamente isso! Já sabedor que seria difícil contar com o Beto Cruz, eu gostaria de reativar o Power-Trio, mas como eu tive a certeza de que Dinola e Gióia insistiriam em contar com um vocalista, eu de imediato sugeri o Rodrigo Hid. Toquei em três bandas com ele, Hid: SIDHARTA, PATRULHA DO ESPAÇO e PEDRA, portanto sei do potencial dele como cantor e multi-instrumentista e o Dinola também o conhece bem pelo SIDHARTA e por bandas cover que ambos tiveram por muitos anos. A minha ideia foi que o Rodrigo cantasse todas as músicas, com exceção de "Luz" que eu pedi ao Rubens para cantá-la e assim preservamos ao máximo a identidade natural da nossa gravação para o compacto de 1984. Eu falei com o Hid para ele cantar e tocar mais teclados. Estava ansioso para tocar as músicas da nossa banda com esse tipo de apoio e imprimir uma sonoridade super setentista para as músicas e creio que ele tocaria guitarra apenas em "Saudade" exatamente para ser reproduzido o som de dueto que o Rubens gravou para a demo de outubro de 1986. Sobre o repertório que havíamos decidido tocarmos no show, seria esse:

01) Luz
02) 18 Horas
03) Anjo Rebelde
04) Um Minuto Além
05) Crisis (Maya)
06) Intenções
07) Átila
08) Sun City
09) Saudade
Bis:
10) A Dança das Sombras




Luiz Domingues e José Luiz Dinola junto com Rodrigo Hid, participando da gravação do disco solo do último, em março de 2017.

03 - O Rodrigo Hid seria outro ex-membro da PATRULHA DO ESPAÇO a tocar n' A CHAVE DO SOL, fazendo o caminho inverso seu e do Rubens. Vocês já pensavam em chamá-lo em 2014 no projeto A PATRULHA DO SOL, que acabou não se realizando?


Luiz - Bem, essa ideia partiu do Rubens, mas ele se precipitou ao insinuar publicamente a sua intenção, antes mesmo de consultar o Rolando e este não gostou dessa impertinência. Acho que a ideia era até interessante, mas o Rubens se precipitou, pois deveria ter consultado a todos previamente e pelo que eu saiba, ele só havia falado comigo e ao deixar vazar a possibilidade, irritou o Rolando e convenhamos, com razão. Mas seria apenas para um show a ser realizado na Virada Cultural, não seria uma banda doravante. Sobre a presença do Rodrigo Hid, não foi cogitada a hipótese. A ideia original foi misturar músicos que haviam sido membros das duas bandas, daí o trocadilho "Patrulha do Sol" e na ocasião, o Hid não tinha vínculo com A CHAVE DO SOL para justificar a sua inclusão no projeto.




"Anjo Rebelde" executada com o saudoso vocalista Fran, faixa que consta na coleção de seis bootlegs d' A CHAVE DO SOL que o baixista Luiz Domingues lançou entre 2020 e 2021. Esse tema estaria no repertório do show que ocorreria em julho de 2020 no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo, capital.

04 - Muito infelizmente, os planos de volta d'A CHAVE DO SOL foram prorrogados em primeiro momento por conta da pandemia do novo corona vírus. Já no começo deste ano de 2021, com enorme tristeza e surpresa da parte de todos, o guitarrista Rubens Gióia subitamente faleceu. Como tem sido para você lidar com a perda do amigo de tão longa data? Esse material sendo lançado se tornou uma homenagem ao Rubens?

Luiz - Pois é, a pandemia nos atrapalhou em cem por cento em uma primeira avaliação, mas o falecimento do Rubens foi um golpe ainda mais duro. Sobre o choque que tivemos ao saber da sua morte, foi muito grande, naturalmente. Por uma série de contingências ( pandemia incluso), eu fui o único companheiro de banda presente em seu triste velório. O Paulo "Paulinho Heavy" Toledo, ex-vocalista do INOX, também esteve presente, mas eu nem o reconheci na hora, devido às máscaras que todos usamos no dia. Portanto, foi um velório praticamente restrito aos familiares do Rubens. Foi um momento de dor que provocou reflexão, certamente, pois é claro que eu revi toda a nossa construção da carreira d' A CHAVE DO SOL, a amizade, o triste rompimento de 1987 devido ao mal-entendido etc. Não foi a intenção inicial, haja vista a obviedade que tais álbuns deveriam terem sido lançados com um grande show, com ele a tocar e a estar feliz por isso, mas claro que esses seis discos bootleg o homenageiam de forma póstuma.



Luiz Domingues em 1984, na época que A CHAVE DO SOL lançava seu primeiro registro fonográfico oficial, o compacto "Luz / 18 Horas".

05 - Em setembro do ano que vêm será o aniversário de 40 anos do primeiro show d' A CHAVE DO SOL. Você pensa em lançar mais material inédito ou fazer uma apresentação nesta data? Quem sabe até uma homenagem aos saudosos musicistas que fizeram parte do grupo?

Luiz - Segundo o Gegê Guimarães, a data que tínhamos em julho de 2020 está em aberto e se a pandemia for vencida de fato, existe a possibilidade de haver um show tributo ao Rubens e o Dinola e o Hid já sinalizaram que aceitam participar. Eu só não gostaria que usássemos o nome A CHAVE DO SOL, pois tal denominação sempre foi algo muito associado ao sonho particular do Rubens que ele acalentava desde a sua infância. Sobre novos bootlegs, eu tenho mais fitas sim, com muitos shows ao vivo do período 1986/1987 da formação como quarteto, com o Beto Cruz. Penso em produzir novos discos, mas dependerá das finanças, primeiramente e da pandemia ser extinta, igualmente.



Luiz Domingues com a discografia d'A CHAVE DO SOL, oficial e bootleg, transformada em almofadas promocionais, que seriam vendidas no show que não ocorreu. 

Não perca a segunda parte da entrevista com Luiz Domingues falando dos seis discos bootlegs lançados entre 2020 e 2021 abrangendo o período de 1982 a 1986 d' A CHAVE DO SOL!



23 de junho de 2015

Percy Weiss: "eu poderia ter sido o vocalista d' A Chave do Sol".

"Só agora fui saber que fui o primeiro cantor, se me dissessem na época talvez eu tivesse ficado", foi como o falecido cantor notório pelas bandas MADE IN BRAZIL, PATRULHA DO ESPAÇO, HARPPIA e QUARTO CRESCENDO relembrou sua experiência como vocalista d' A CHAVE DO SOL em setembro de 1982. A declaração aconteceu em entrevista com Cesar Gavin, do site Vitrola Verde (clique para ler o original). No curto papo, publicado esse mês no youtube, o cantor especifica que, enquanto músico profissional, fez muito trabalhos contratados e cobrando cachê; alguns até do quais não se lembra.



"Na ocasião, entendi que eles ficaram sem cantor e tinham shows marcados", contou Weiss a Gavin, ainda enaltecendo a capacidade técnica d' A CHAVE DO SOL e confessando que adorou a oportunidade de cantar temas como "Tie Your Mother Down" do QUEEN.

Percy Weiss se apresentou com A CHAVE DO SOL no primeiro show da banda, em 25 de setembro de 1982 e depois no dia 29 do mesmo mês e ano, numa canja dada durante a apresentação do conjunto de covers ÁRIES, de quem era muito amigo, no espaço Pierott Lunar no Itaim Bibi em São Paulo/SP.

Willba agradece a Gavin pelo material e os agradecimentos ao site e sua pessoa no final do vídeo.

10 de julho de 2014

Luiz Domingues: "gravei o disco de 1989 empurrando com a barriga".

William Kusdra, rocker responsável pelo site Disicplina Frustrada, realizou, em 20 de Junho deste ano, uma extensa entrevista com o Luiz Domingues, baixista e membro fundador d' A CHAVE DO SOL. Ao longo das 18 extensas respostas às bem sacadas perguntas, o blog: A CHAVE DO SOL foi citado. Como agradecimento, separamos as partes que consideramos fundamentais aos fãs da seminal banda de Hard Rock, que ilustramos com algumas imagens de nosso acervo.

A CHAVE DO SOL é uma banda super consagrada no cenário roqueiro brasileiro. Inclusive possui um blog onde conta a história da banda. Como foram os primeiros ensaios, os primeiros shows...Teve até uma participação especial do Percy Weiss em algumas apresentações. Conte como foram os primeiros momentos da banda.

Luiz:  Muita água passou por debaixo da ponte, antes que eu chegasse ao momento em que fundei A CHAVE DO SOL com o Rubens Gióia e Zé Luis Dinola. Nesse ínterim, eu havia crescido como músico e adquirido uma razoável experiência desde os passos iniciais de 1976 e em 1982, finalmente me achava apto para atuar numa banda autoral com propósitos sérios.
O começo da banda foi muito estimulante para mim. Era a valorização de cada primeira conquista, que era forjada na raça e determinação da banda, focada em seu objetivo.

De fato, o primeiro vocalista da banda foi o Percy Weiss, mas como convidado especial. Ele fez apenas os dois primeiros shows, e dali em diante, seguimos a nossa trajetória, tendo momentos em que assumimos o formato Power Trio ou no quarteto, com a presença de vocalistas. Além do Percy, tivemos outros quatro vocalistas na história da banda, em momentos diferentes : Verônica Luhr, Chico Dias, Fran Alves e Beto Cruz.

A banda teve fases muito boas no decorrer de sua carreira, mas confesso que a fase que mais gosto, é a desses momentos iniciais, entre 1982-1983, pela união, foco, garra e vontade de vencer que tínhamos. Claro que após os discos, exposição midiática e shows importantes, a banda alcançou vitórias expressivas e tenho ótimas lembranças de tais momentos, mas o período inicial é muito especial para mim, particularmente.


Luiz Domingues ao vivo com A CHAVE DO SOL em maio de 1984 na FAAP.

A gravação do primeiro disco da banda. Conte como foram os bastidores desse momento e como foi chegar a gravação dos álbuns seguintes.

Luiz: A gravação do primeiro disco d' A CHAVE DO SOL ocorreu em janeiro de 1984, no estúdio Mosh, em São Paulo, quando ainda ocupavam as dependências de um sobrado no bairro da Vila Pompeia, na zona oeste da cidade.

Não tínhamos muita experiência de estúdio nessa época. Eu havia gravado apenas uma faixa num disco de uma cantor de MPB, em 1980 e uma fita-demo do LÍNGUA DE TRAPO, até então. O Rubens havia gravado um compacto com a SANTA GANG, banda que geralmente abria os shows do MADE IN BRAZIL entre 1979 e 1983 e o Zé Luis só havia gravado fitas demo com sua ex-banda (CONTRABANDO, cujo guitarrista era o Tony Babalu, ex-MADE IN BRAZIL).

Mas tínhamos a nosso favor a precisão pelo esmero que tínhamos em ensaiar exaustivamente e o foco, que era total. Portanto, driblamos a inexperiência com tranquilidade, além do bom relacionamento que estabelecemos com o técnico do Mosh, um rapaz competente e solícito, que também se identificou conosco e muito nos ajudou nesse trabalho, chamado Robson T.S.

Já nos álbuns seguintes, foi muito mais tranquilo, com o amadurecimento da banda em todos os sentidos.

Com a saída do Rubens Gioia da banda, você continuou com nova formação e gravou um álbum como "The Key". Teve uma ótima repercussão mas não houve continuidade. Porque?

Luiz: A CHAVE DO SOL teve um desgaste interno muito grande por conta de termos nos iludido com as promessas vazias de um escritório de empresários que nos amarrou com um contrato de valores acachapantes. Estávamos num grande momento na metade de 1986, flertando com um voo mais alto, perto do mainstream, mas graças aos nossos esforços acumulados de quatro anos de labuta. Quando percebemos que os tais empresários estavam apenas lucrando com os contatos que nós já tínhamos, como uma sanguessuga surfista, sem nada fazer para agregar ou amplificar o "momentum", era tarde demais. Com isso, perdemos o embalo e bateu um desânimo muito grande em 1987, com conflitos internos bobos que eram perfeitamente administráveis, ganhando proporção maior do que o devido, minando-nos.

O Zé Luis foi pressionado fortemente pela família a investir num curso universitário e abraçar uma carreira tradicional e resolveu deixar a banda. Tentamos continuar, mas o clima estava ruim e assim gravamos o terceiro álbum, tirando leite de pedra, sem recursos, com pouco apoio externo e o clima ruim entre nós três sobreviventes.

Mas no final do ano, com o disco já sendo lançado, ficou insustentável a situação, pois o Rubens não quis mais participar, mas tínhamos compromissos de shows e TV para cumprir, já agendados, fora a dívida acumulada pela produção do disco, que correu por nossa conta, e sem apoio, portanto, não havia outra saída a não ser reformular a banda e prosseguir, nem que fosse só para saldar as contas.

Hoje em dia, eu lamento muito que tudo isso tenha ocorrido. Jamais quis que a banda parasse, tampouco reformulá-la com um line-up totalmente diferente. Indo além, na época eu considerei como continuidade, apesar de termos sido obrigados a mudar de nome pois o Rubens que tinha o registro oficial em sua posse, não permitiu que continuássemos a usá-lo.

Isso foi muito doloroso para mim, mas vendo hoje em dia, acho que mesmo sendo forjado a forceps, delimitou que A CHAVE DO SOL encerrara atividades e o que veio posteriormente, foi uma nova banda, ainda que identificada com a antiga, por laços artísticos.

O Beto Cruz teve um mérito extrordinário nesse processo pois liderou essa metamorfose. Confesso que estava exaurido em minhas forças e a ruptura com o Rubens havia minado a minha vontade de prosseguir, pois ficamos estremecidos dali em diante por muito tempo. Hoje estamos de bem, ainda bem e o amadurecimentos nos fez enxergar que ninguém traiu ninguém e jamais deveríamos ter parado, pela amizade e luta de tantos anos, mas simplesmente fomos vítimas das circunstâncias da época.

A despeito desse mérito incrível do Beto, que tomou toda a dianteira e reformulou a banda, eu nunca gostei do novo direcionamento que ela adotou posteriormente por conta da influência que os novos membros trouxeram. O som ficou calcado no virtuosismo extremado, com ranço de Heavy-Metal, e eu queria mais é voltar para as minhas raízes sessenta-setentistas.

Fui "empurrando com a barriga", gravei aquele álbum de 1989, mas não aguentei mais e pedi demissão.

Nada contra os novos membros, que são ótimos músicos e amigos legais, mas o direcionamento adotado nunca me agradou.

Luiz Domingues no show de lançamento do disco gravado pela A CHAVE sem sol.

E a PATRULHA DO ESPAÇO como entrou na sua vida? Tocar ao lado de uma verdadeira lenda do rock brasileiro, o batera Rolando Junior, é um prazer enorme. Como foram esses tempos na banda. Foram 5 anos de Patrulha?

Luiz: Eis aí outra história longa...bem, aqui preciso exercer o poder da síntese, portanto, digo que após minha saída d' A CHAVE / THE KEY (a dissidência d' A CHAVE DO SOL), fiquei entre 1990 e 1991 sem uma banda autoral oficial e emendei inúmeros trabalhos efêmeros, projetos que não vingaram etc. Até que no início de 1992, recebi o convite do vocalista/guitarrista Chris Skepis para fazer parte de uma nova banda chamada PITBULLS ON CRACK, com proposta sonora e estética totalmente diferente de tudo o que fizera anteriormente na vida. Topei participar como um desafio pessoal e por lá fiquei até 1997, gerando um monte de histórias legais e com momentos até significativos, com exposição midiática, inclusive. Todavia, chegou um momento em que também me desgastei com a proposta (jamais com as pessoas, quer são meus amigos até hoje) e saí. E esse é o ponto inicial da Patrulha, embora na prática, a "nova" Patrulha só tenha se reunido para valer em 1999.

Isso porque eu resolvi montar uma banda 100% calcada na estética 60/70, sem concessões e/ou preocupações com a mídia, show business, mercado etc etc. O objetivo era fazer o som que curtia, voltando para 1968 e resgatando o molequinho que gostava dos THE BEATLES, JIMI HENDRIX EXPERIENCE e THE ROLLING STONES. Para essa empreitada com ares de "Haraquiri mercadológico", coloquei dois garotos imberbes e inexperientes, mas com um talento nato absurdo, que havia conhecido na minha sala de aulas (dei aulas de baixo entre 1987 e 1999), durante os anos noventa, chamados : Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Era como se eu fosse um olheiro de futebol e descobrira num campinho, dois moleques, um chamado Neymar e o outro, Ronaldinho Gaúcho...

Mais que o talento nato de serem multiinstrumentistas, cantores, arranjadores e compositores, apesar da pouca idade e do anacronismo natural, eram doidos pela estética dos anos 60 e 70, sem que eu precisa-se "doutrina-los"...

Com essa dupla e a presença do meu velho amigo José Luiz Dinola (ex- A CHAVE DO SOL), passamos o fim de 1997 e o ano de 1998 inteiro ensaiando e compondo o material dessa banda que fora batizada como SIDHARTA.

Mas no início de 1999, o Zé Luis sentiu-se desconfortável pelo nosso radicalismo em soar retrô e não conseguindo nos demover dessa determinação em prol de ideias modernosas que queria introduzir, resolveu deixar a banda, infelizmente.

Sem baterista, mas com 21 músicas prontas e arranjadas na bagagem, fizemos uma lista de possíveis bateristas que se encaixariam nesse espírito retrô que queríamos. Claro que não haviam muitas opções nesse nicho assim fechado num ideal. Aí demos uma tacada ousada, convidando o Rolando Castello Junior.

Ele adorou o material e impressionou-se com a versatilidade e qualidade dos garotos, mas deu a sua "contratacada", nos demovendo da ideia de iniciar o trabalho como SIDHARTA, uma banda zero KM, sem contatos, sem apoio e sem dinheiro. Como PATRULHA DO ESPAÇO, já sairíamos com um nome de prestígio em mãos e seria mais fácil do que arrancar da estaca zero.

Dessa forma, trouxemos o material do SIDHARTA para a banda, ensaiamos os seus clássicos e assim colocamos a nave de volta no ar, com sangue novo. E o legal, é que o Junior embarcou no ideal e fez com que a Patrulha resgatasse suas próprias raízes setentistas, inclusive voltando a tocar músicas da época do Arnaldo, visto que Rodrigo e Marcello eram ambos tecladistas, também.



Luiz Domingues em foto que estampa a traseira do primeiro registro fonográfico d' A CHAVE DO SOL.
Foi um momento mágico para todos, portanto, e na minha autobio, conto com detalhes, pois propiciou um sem número de histórias. Aliás, fica o convite para ler a narrativa, no meu Blog 2, ou na comunidade Luiz Domingues do Orkut, que uso como plataforma de rascunho.

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/
http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=14081928

Conheça as bandas atuais do Luiz Domingues:

http://www.pedraonline.com.br/
http://www.reverbnation.com/kimkehloskurandeiros
http://www.reverbnation.com/artist/artist_songs/579876

Recomendamos a leitura da entrevista completa:
http://disciplinafrustrada.blogspot.com.br/2014/06/entrevista-com-o-musico-luiz-domingues.html

3 de julho de 2014

Fábio Ribeiro: "hoje é impossível ver Rock independente numa das principais emissoras do país".

Laura Gallotti, do site Brasil Metal História publicou, em 19 de junho de 2014, uma extensa entrevista com o músico Fábio Ribeiro. Considerado pelo site como o instrumentista menos lembrado nas bandas de rock, o tecladista tem carreira sólida nessa ceara complicadíssima, sendo mais lembrado pelas passagens pelo ANGRA e o SHAMAN, estando atualmente no REMOVE SILENCE. O blog: A CHAVE DO SOL foi citado na entrevista, por isso, como agradecimento, recortamos os trechos em o músico fala de sua passagem pela banda.

Confira o texto, chamado "Fábio Ribeiro: a busca pela verdade na música", integralmente, neste link:
http://www.brasilmetalhistoria.net/2014/06/fabio-ribeiro-busca-pela-verdade-na.html

Você participou da lendária banda de Hard Rock, A CHAVE DO SOL, que em 1988 passou a se chamar A CHAVE. Como foi a experiência?

Fábio: Foi uma época divertida. A CHAVE DO SOL foi minha primeira banda "profissional", que já tinha um público formado e certa estrutura. Entrei a convite de um dos roadies da banda, que estudava na mesma escola que minha namorada na época e havia ouvido uma demo da banda DESEQUILÍBRIOS, com a qual eu estava tocando após deixar o ANNUBIS. Eles estavam procurando um tecladista após a gravação do álbum “The Key” (1987). Eu nem sabia dirigir. Meu pai, também músico, sempre me apoiou e me levava aos ensaios. O primeiro show que fiz com eles foi no Teatro Mambembe em São Paulo, em dezembro de 1987, ainda com Rubens Gioia na guitarra e Ivan Busic (DR. SIN, ex-PLATINA, CHEROKEE etc), na bateria. Após a troca de formação, continuamos a viajar frequentemente. A banda também tinha um espaço razoável na mídia especializada e nos programas dedicados, na TV e no rádio. Foi uma experiência muito importante para o início da minha carreira, pois me ofereceram a oportunidade de começar bem cedo a aprender os truques da vida como músico profissional e os altos e baixos do show business underground brasileiro. Gravei um álbum com eles, “A New Revolution” (1989). Permaneci na banda até o final de 1989.

Fábio Ribeiro na época que ingressou para A CHAVE DO SOL.
Recentemente, o blog: A CHAVE DO SOL disponibilizou os videos completos do show no “Verão Vivo”, em 1988, no Guarujá, registrado pela TV Bandeirantes. Como era a recepção e a adesão do público a shows de Rock na época?

Fábio: Não creio que a recepção do público tenha mudado tanto assim. É uma coisa natural de qualquer pessoa absorver música de qualidade, desde que lhe seja apresentada. O problema está na extensão da onda de divulgação do estilo, que foi propositalmente encolhida a quase zero e que certamente reduziu este público drasticamente de lá para cá. A adesão diminuiu por esta razão. Eu não consigo visualizar hoje em dia um evento transmitido ao vivo em rede nacional por uma das principais emissoras do país com dezenas de bandas de Rock independentes, por exemplo. Mas vejo "artistas" dessa nova "música" brasileira recebendo cachês exorbitantes pagos com verbas públicas para animar eventos deste porte e simultaneamente promover arrastões e saques com sua ideologia pra lá de discutível. O que se fez com o Rock no Brasil, principalmente de uma década para cá, pode ser chamado de assassinato. Grandes, médios e pequenos estão sendo exterminados. Coisas incabíveis estão sendo esfregadas na nossa cara (...) Mas o show no “Verão Vivo” me traz ótimas lembranças. Quando A CHAVE mudou de formação, inicialmente entraram dois guitarristas - Edu Ardanuy e Theo Godinho -, fizemos alguns shows assim e depois somente o Edu permaneceu. Através dos anos participei de diversos projetos com o Theo, que faleceu recentemente. Um excelente guitarrista e grande amigo que deixou saudades.

Você também participou de outra grande banda brasileira de Hard Rock, o ANJOS DA NOITE, que teve como guitarrista em uma primeira fase o Edu Ardanuy, com quem você já havia tido contato por meio d' A CHAVE DO SOL. Como surgiu o convite para participar do grupo?

Fábio: O convite veio através do próprio Edu, que deixou A CHAVE para formar esta banda em 1989, ao lado de seu irmão, e também guitarrista, Atila e do vocalista Marco Sergio (Bavini), filho do cantor Sergio Reis. Permaneci na banda por cerca de um ano e meio. Foi uma experiência muito legal estar em uma banda que estava dando um passo além, para um reconhecimento pela grande mídia e por um público mais abrangente. Todavia, a carreira da banda foi como uma volta de montanha russa, pois o próprio estilo, o Hard Rock, já estava sendo literalmente engolido pelo Grunge lá fora e aqui no Brasil nunca teve força razoável para se tornar um estilo de música popular. Mas foi muito divertido enquanto o combustível do foguete durou.

A sua incursão pelo Rock progressivo pode ser sentida por meio da participação na banda paulistana VIOLETA DE OUTONO, que trazia um som mais psicodélico. Como foi a experiência?

Fábio: Toquei com o VIOLETA DE OUTONO entre 1997 e 2001, gravei vários trabalhos com eles, incluindo um disco ao vivo. Sempre gostei do clima da banda, desde que apareceram na cena nos anos oitenta, quando tiveram um bom destaque na mídia. Sempre os considerei mais ousados do que o que estava rolando na época, um som mais experimental, mas que ainda cativava os ouvidos mais simplistas por ser naturalmente agradável. Certa vez dividimos o palco em um festival, quando eu ainda tocava com A CHAVE DO SOL, mas viemos a nos conhecer apenas dez anos depois, em uma festa de Helloween na qual o Zé do Caixão fechou a noite com um show bizarro e um caixão de verdade foi sorteado entre os participantes. Fizemos diversos shows, muitas jams no estúdio e viajamos bastante. Um período muito agradável.

O blog: A CHAVE DO SOL tem em seu acervo outra entrevista com Fábio Ribeiro, concedida ao fã clube de ANDRÉ MATOS, em que o músico diz que se sentiu lesado por BETO CRUZ e que "A New Revolution" é seu pior registro. Confira abaixo:

http://achavedosol.blogspot.com.br/2012/04/fabio-ribeiro-tecladista-relembra-sua.html 

26 de janeiro de 2013

Entrevista com Julio Revorêdo.

Uma caracterísitica comum aos fãs de rock é não somente ouvir a música, mas ler e absorver todas as informações contidas nas capas e encartes de seus LP's e CD's. Quem, assim como eu, mantém esse habito, ira se deparar com muitas informações importantes e até surpreendentes. No caso do segundo disco d'A CHAVE DO SOL, o ouvinte ira encontrar um nome da coautoria das músicas "Ufos" e "Segredos".
Esse nome é Julio Revorêdo, poeta e personagem fundamental na trajetória da banda.

Nascido em São Paulo, capital, no bairro do Paraiso, em 1959, Julio Revorêdo Peres, é um poeta que já trabalhou, além d' A CHAVE DO SOL, com as bandas PATRULHA DO ESPAÇO  e SIDHARTA. Revorêdo é bibliotecário de formação e sua produção poética é mais orientada pelo cinema fantástico de David Lynch, Stanley Kubrick, passando por Glauber Rocha e indo até as produções cult do 'mestre do filme B' Roger Corman; além de ser fã de atores carismáticos como Dennis Hopper, Daniel Day Lewis, Roddy MacDowall, Montgomery Clift, Barbara Hershey e James Dean. Em se tratando de rock,o poeta tem preferência pelo peso sessentista dos ingleses do CREAM e da carreira solo de ERIC CLAPTON, além de, é claro, OS MUTANTES.

Além da composição das músicas citadas (e outras que não entraram no disco) e ajudar na produção de palco, foi Julio Revorêdo que indicou o vocalista Fran para se juntar à A CHAVE DO SOL. Esse e outros assuntos relevantes estavam na pauta do bate-papo que o nosso blog teve com o artista. Confira abaixo!

"ROCK PESADO E POESIA SEM CONTRADIÇÕES"
por Willba Dissidente.

01 . Julio Revoredo, todos os fãs d' A CHAVE DO SOL que tenho contato só conhecem pelos créditos do LP de 1985. Peço, então, como primeira pergunta, que você se apresente enquanto poeta para os leitores do blog. Qual sua formação? Período literário favorito, principais influências e qual obra você considera fundamental à sua carreira?

Julio:  Como poeta, minhas principais influências são Castro Alves, Pablo Picasso (que também se dedicava à poesia), Luis Sergio Person, James Joyce, Walter Hugo Khouri, Francis Bacon, Robert Sordello Browning, os Concretistas (movimento literário) , Cassiano Ricardo, Salvador Dali (pintor do surrealismo, que trabalhou até com ALICE COOPER), Jackson Pollock (pintor do movimento do expressionismo abstrato), Beat Generation, além dos cineastras e atores já citadados. O período literário que mais me apetece é o Modernismo e a obra que considero fundamental é Finnegans Wake,  de James Joyce.

02 . Lembro que quando cursei Ciências Sociais de ter feito amizade com o pessoal da Letras, prédio ao lado, e alguns desses amigos se dedicavam à poesia. Destes, a maioria era avesso ao "Rock Pesado", por, em geral, o achar "enlatado" e "americanizado"; ainda quando cantado em português. Em contrapartida, os fãs de rock, em especial o pessoal do Heavy Metal, não demonstram, idealmente falando, apreço por poesia. Como foi conciliar então ser um poeta na efervecente cena underground paulista de início da década de 80?

Julio: Eu gosto de poesia e de rock pesado,e sinceramente nunca pensei sobre essas antípodas.




03 . Como começou seu envolvimento com A CHAVE DO SOL? Desde que época você acompanhou a banda? Como você via o grupo, que tocava um som na linha clássica do jazz-rock, hard rock, num cenârio que voltado, quase que exclusivamente ao Heavy Metal? Em boas palavras: A CHAVE DO SOL se misturava bem à época e local, junto a nomes como SALÁRIO MÍNIMO, CENTÚRIAS, AZUL LIMÃO e o outros grupos, hoje clássicos do som pesado nacional?

Julio: O meu envolvimento inicial com A CHAVE DO SOL, deu-se através de um amigo roqueiro, que viu o anúncio do show da Chave na frente do bar "Deixa Falar", e por curiosidade falou para mim : "Vamos entrar ! Entramos e por coincidência o pessoal da Chave estava lá dentro, e voltamos mais tarde para o que foi o primeiro show d' A CHAVE DO SOL. De cara eu gostei do som, que mesclava covers e algumas poucas músicas que fariam parte de seu futuro repertório.

No aspecto convívio, A Chave se dava bem com a maioria das bandas. No tocante à música, A Chave destoava da maioria das bandas, inclusive pela criatividade e qualidade superior às demais bandas.


04 . Como surgiu a idéia de sua contriubuição no EP de 1985? Você já havia começado a compor com a banda antes da entrada do Fran?

Julio: Eu ja escrevia antes da entrada do Fran, e minha participação deu-se exclusivamente por causa do Luiz Domingues, que sempre foi o meu incentivador, ao contrário do Rubens e Zé Luis Dinola, que preferiam mais o som instrumental. Aliás, a minha participação como letrista gerou ciúmes de alguns amigos do Rubens, por causa de minha poesia não seguir o esperado padrão estético, do começo, meio e fim.



05 . Sabemos que você que escolheu o Fran após ver um show do ANO LUZ e saber que a banda estava decidida à encerrar as atividades. O que você achava do ANO LUZ, tanto no instrumental como nas letras? Quais as outras bandas que você assistiu show na época à procura de um vocalista para A CHAVE DO SOL? Houve mais alguém que você achava ser indicado ao microfone da Chave?

Julio: Não foram muitas bandas, a única que me lembro de ter asssistido a um show, além do ANO LUZ, foi o SALÁRIO MÍNIMO. A escolha do Fran foi puramente por sua voz, uma vez que só assisti àquele show, por isso não posso avaliá-lo. E para mim, ao contrário da grande maioria que preferia o Beto, eu sempre achei o Fran infinitamente melhor cantor.

06 . O saudoso Fran também escrevia música e suas letras eram fortes e impactantes. Como foi então para você, enquanto autor, essa convivência artística? Você acompanhou o processo de gravação do disco? Você pode nos dizer como aconteceu? Mais, qual suas impressões ao ouvir o resultado final? Finalizando, o que você pode dizer da recepção do disco por parte da crítica e do público?


Julio: Eu achei ótimo ter um outro letrista, principalmente pela qualidade do teor político de suas letras, até porque os nossos estilos eram opostos. A convivência foi pouca, mas boa, pois eu era só um letrista, e ele além de letrista, cantor.

Eu nao acompanhei o processo de gravação do disco, apenas uma vez o Rubens mostou-me numa fita cassete o esqueleto da musica "Ufos" (era uma fita de pré-produção). O resultado final para mim foi bom, e engraçado, sempre que eu penso nesse disco, não são nas minhas músicas, mas sim da melhor música do disco, que é "Um Minuto Além".

Em relação à recepção, não posso dizer nada.







07 . O Fran deixou a banda no final de 1985, sendo substituido por um cantor de voz e composições bem diversas das dele. Você participou dessa escolha também? Em retrocesso, como você avalia esse processo da substituição do Fran?

Julio: Eu não participei, e como já disse antes, A Chave vocal, não instrumental, o cantor é o Fran


08 . Nos outros dois discos d' A CHAVE DO SOL, a saber, "The Key" e A "New Revolution" a sua poesia de vanguarda não é encontrada nas letras. Por quê?


Julio: Porque já havia uma influência começada com o cantor Beto. Já havia uma direção naquela época para letras em inglês, eu ate poderia vertê-las, mas, eu acho que o meu tempo com A Chave, tinha sido o tempo anterior.





09 . Sua poesia só é encontrada em música, após o E.P. de 1985, na PATRULHA DO ESPAÇO (disco "Cronophagia", de 2000). Como foi seu envolvimento com o SIDHARTA? Você trabalhou com outras bandas, ou existem outros grupos que você tem vontade de trabalhar?


Julio: A primeira vez que vi o Luiz Domingues, foi num bar chamado 790 (pronunciava-se "Sete Nove Zero"), no Itaim Bibi (bairro da zona sul de São Paulo), um ano antes de surgir A Chave (numa apresentação da banda cover, "terra no Asfalto"). A partir da Chave, nos tornamos verdadeiramente amigos, e eu passei a acompanhar suas bandas. Eu acho que no Sidharta,o Luiz pode ter visto a possibilidade de uma nova parceria, o que ocorreu no CD "Cronophagia" (da Patrulha do Espaço). Não trabalhei com outras bandas, mas não vejo nenhum problema em fazê-lo.

10 . Encerrando, esse espaço para você. Julio, o blog: A CHAVE DO SOL lhe agradeço que pelo música que você legou a todos os fãs e pela entrevista. Um grande abraço!

Julio: Obrigado pela lembrança. Achei as perguntas boas, simples e diretas.

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Quem tiver interesse em conhecer mais poesias do Julio Revorêdo, pode visitar o blog2 do baixista original d' A CHAVE DO SOL:

http://blogdoluizdomingues2.blogspot.com.br/search/label/Poeta%20Julio%20Revoredo

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O blog: A CHAVE DO SOL agradece ao amigo e baixista Luiz Domingues, que se esforçou para que a entrevista ancontecesse, me colocando em contato com o responsável pela frase "a humildade é um caminho para felicidade superior". Aproveito para deixar um salve para a amiga, e antiga vizinha, Ana Castilho, que acompanha e incentiva o blog. Reitero meus agradecimentos a todos que fazem esse meu hobbie com o blog valer cada segundo de esforço. Até a próxima com mais material inédito.

5 de dezembro de 2012

Entrevista inédita com Rubens Gióia

Saudações! Orgulhosamente vos apresento um dos conteúdos criados exclusivamente para o nosso blog. Trata-se de uma entrevista inédita com o guitarrista e membro fundado d'ACHAVE DO SOL, o guitarrista Rubens Gióia. Esse papo foi conduzido por mim com uma pauta dupla: o momento atual da banda e curiosidades históricas.
Como minha formação não é em jornalismo, optei em conduzir a pequena entrevista - feita por e-mail - com perguntas bem abertas, que possibilitassem ao interlocutor (Rubens, no caso), discorrer à vontade; ainda sob o risco de se perder o objetividade da réplica. Também não quis perguntas diretas ou "bobinhas" (exemplo, 'o que você está achando do blog), no intento de ir ao ponto do que interessa à todos nós, fãs de Hard Rock. Deixe sua opinião, dúvida ou sugestão no espaço de comentários e ótima leitura!

O CACHORRO QUE CURTIA BLUES, O QUE É E O QUE PASSOU.

por Willba Dissidente*.


Rubens Gióia no Victoria Pub em 1983
Rubens Gióia no Victoria Pub em 1983.


01 . Quando a banda carioca METALMORPHOSE voltou à ativa em 2009, comemorando os 25 de seu primeiro disco, eu conversei – informalmente – com o baixista André Bighinzoli, que me contou sobre os planos do grupo de relançamentos e gravação de material inédito. Ao longo destes 03 anos, muito do que ele me contou realmente aconteceu. Então, eu pergunto, quais são os planos de retorno d ‘ A CHAVE DO SOL? Em boas palavras: o que devemos esperar dessa volta?

Rubens Gióia: A expectativa era grande...mas tanto o Zé hoje no VIOLETA DE OUTONO e o Luiz na banda PEDRA inviabilizam...quase aconteceu, mas como estão trabalhando ativamente não foi possível. Com a aquiescência deles montei uma nova formação, até porque A CHAVE DO SOL é uma franquia minha, criada quando eu tinha 14 anos, e está em estudos...quem sabe em algum momento uma reunião seja possível, nos damos bem.

02 . Cada uma das vezes que A CHAVE DO SOL retornou, você trouxe consigo uma nova formação, sempre com músicos expressivos e experientes em rock pesado. Como foi o processo de seleção do time atual d ‘ A CHAVE DO SOL?

Rubens Gióia: Respeito musical e amizade...basicamente...e respeito à essência da Chave.

Rubens ao vivo no  Clube Sete Praias, em Interlagos (São Paulo), durante o "Outubro Music Festival", 1986.
03 . A CHAVE DO SOL é um grupo que passou por muitas mudanças de estilo dentro do rock pesado, indo da linha do jazz-rock ao hard rock mais comercial, por vezes em músicas com aura de heavy metal; alterando, gradualmente, as composições do português para o inglês. Com que temática, estilo e língua você preferiria compor músicas novas com a banda?

Rubens Gióia: A Chave mais notória, que se pautava pelo perfeito entendimento do Zé, mais jazzista, e o Luiz, um músico completo e eclético...acho que o peso vinha das minhas mãos...

04 . Quando você não quis mais continuar com a banda em 1987, o sucederam guitarristas que se tornaram muito famosos no metal nacional – Eduardo Ardanuy (DR. SIN) e Kiko Loureiro (ANGRA). Estes músicos, entretanto são de outros gêneros musicais de metal, enquanto que você manteve-se no ‘mesmo estilo de som’ na PATRULHA DO ESPAÇO e no YANKEE. Você nunca cogitou fazer um outro estilo de mais aceitação comercial para atingir maior sucesso?

Rubens GióiaNunca entendi arte como comércio, apesar de querer subsistir dela...saí justamente porque A CHAVE DO SOL estava tomando rumos mais mercadológicos que artísticos.


05 . O grupo mineiro HOLOCAUSTO fez um disco, Campo de Extermínio (1987), abordando o nazismo de maneira que há muitos que o acuse de apologia ao regime de exceção. A CHAVE DO SOL possui músicas que tem postura política oposta à citada, denunciando desigualdades sociais e a opressão. Quem assistiu o documentário “Ruido das Minas (2009)” viu o HOLOCAUSTO afirmar que apenas contava uma história da Segunda Guerra Mundial e não apoiava o Reich. E A CHAVE DO SOL, uma música como Sun City somente conta a história da lutas dos negros, ou a banda acreditava na mensagem passada?

Rubens Gióia: No nosso caso acreditávamos e certamente acreditamos...sempre achamos que a arte é uma arma poderosa...temos posições humanísticas e achamos que pudéssemos ser um instrumento de conscientização...não panfletária nem partidária, mas a serviço de levar opinião e esclarecimento...quem foi às nossas gigs no Lira Paulistana viu uma mistura de som, performance, literatura e atitude...creio...

A CHAVE DO SOL clássica, antes da gravação do primeiro compacto. Zé Luis (bateria), Luiz Domingues (baixo) e Rubens Gióia (guitarra).
06 . Conversando com Nivaldo da loja STAND UP, galeria do rock de São Paulo, ele me contou que quando tocava com a banda SUBURBIO (que incluiu o guitarrista Edgar Scandurra) fez um show com A CHAVE DO SOL na Av. Ibirapuera numa casa chamada APonto. Isso ocorreu entre 1978 e 1980, época que o grupo contava com Dedé e Silvio, antes do início oficial da banda em 1982. A CHAVE SOL antes do Luiz Domingues e do Zé Luis era o mesmo grupo? Há alguma estória interessante dessa época que você queria contar ao blog?

Rubens GióiaTá bem informado, hein? Realmente...foi uma das casas mais bacanas que conheci...Aponto...como falei, A CHAVE DO SOL foi um sonho meu de adolescência...nesta busca entrei na SANTA GANGUE e lá conheci estes tipinhos que compraram meu sonho...posso dizer que A PATRULHA DO ESPAÇO, na pessoa do Jr (nota: Rolando Castello Júnior) , foi o Grande padrinho...o conheci neste bar e ele abriu a casa dele pra que eu assistisse ensaios e até emprestar equipamento pra essas gigs no bar...vale ressaltar uma vocalista que tivemos, a Verônica...uma moça de 1.80 modelo loira com a voz da Tina Turner, que eu conheci num bar chamado Deixa Falar, antes be bop alula que lançou MUTANTES e TERÇO...aliás, palco da primeira jam da CHAVE DO SOL mais conhecida...a primeira vez em que tocamos juntos eu, Zé e Luis, compusemos 18h, que seria nosso primeiro “hit”. Além de Scandurra, neste bar eu vi o grande guitarrista Renato Ribeiro e o embrião do ULTRAGE À RIGOR, entre outros... O Aponto bar virou uma segunda casa pra mim...conviver com músicos desse naipe foi determinante...interessante é que havia um São Bernardo, o cão mesmo, que só saía da casinha dele quando se tocava blues...o palco era suspenso e ele se posicionava em baixo e à frente uivando...AUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!...tempos bons, honestos e livres...

Agradecimentos especiais aos amigos Rubens Gióia, pelo tempo e atenção, e ao Luiz Domingues, que cedeu as imagens que ilustram essa matéria.

* Willba Dissidente é fã das bandas de Hard Rock e Metal das décadas de 70 e 80, dois mais variados países. De maneira diletante, ele escreve no site Whiplash, edita vídeos e legenda curtas, longas e média-metragens; além de ter se envolver com eventos de Rock esporadicamente. "Tratamento mainstream ao underground" é seu lema em todos esses hobbies.