17 de novembro de 2016

Quinto Capitulo da Biografia da banda;

Dos vários motivos que o público que viveu os anos 1980 tem para recordar A CHAVE DO SOL, o mais forte é o Programa Fábrica do Som. Durando de março de 1983 a julho do ano seguinte, o periódico semanal televisivo era apresentado por Tadeu Jungle, que se sempre que podia alfinetava o então governo de exceção comandado pelos milicos. Foi lá que a banda fez seis apresentações, cinco televisionadas, e à partir dai os convites para shows, novas aparições em televisão e o reconhecimento de crítica e público efetivamente veio. No período de um em que participou d' A FÁBRICA DO SOM, conta-se que a Tv Cultura recebeu 18 mil cartas (!!!) citando A CHAVE DO SOL.

Acompanhe como o anonimato d' A CHAVE DO SOL acabou em 16 de julho de 1983.






Esse texto é um condensado dos capítulos cincos e seis da autobiografia na música, seção A CHAVE DO SOL, do baixista Luiz Domingues.

FILHO, NÃO FAÇA TANTAS CARETAS QUANDO TOCAR NA TEVÊ:  A Chave do Sol na Fábrica do Som.

De modo amplo, quando se fala em "Fábrica do Som", o povo já lembra de TITÃS, BARÃO VERMELHO, IRA! e outros nomes que estouraram na mídia cunhando o Rock BR nos anos oitenta. Não obstante, outros conjuntos que não os midiáticos também fizeram participações no programa. Ainda que de caráter educativo, a rede Cultura, que é estatal, cravava quatro pontos de audiência nas tardes de sábado. "Talvez", just maybe,  A CHAVE DO SOL tenha sido a banda mais presente no programa.

"Apesar do programa ser o berço de inúmeras bandas de estética 'moderna', oriundas do pós-punk, e derivados dessa tendência, o público era em essência formado por hippies anacrônicos, seguidores de Raul Seixas etc. Dessa forma, o nosso som caía como uma luva, pois tocávamos na contramão da estética vigente, e sua ruindade musical inerente e indecente...".
LUIZ DOMINGUES.

Gravados às terças-feiras no Teatro do Sesc Pompéia, Z/N de São Paulo, a entrada era gratuita. Se cabiam confortavelmente 800 pessoas nas dependências da casa, em dias de gravação acumulavam-se 1500 fãs e mais gente do lado de fora querendo entrar. Muito infelizmente, muitas vezes a Policia Militar era chamada para impedir tumultos. Esse era o lado de fora do Teatro, pois dentro a confusão era análoga. Eram funcionários, do Sesc, da TV Cultura, os técnicos de PA e inúmeros músicos em vai e vem com instrumentos e equipamentos diversos. Foi nesse pandemônio que A CHAVE DO SOL brilhou pela primeira vez no programa, gravando em em 12/07/1983.

A PRIMEIRA APRESENTAÇÃO.

E essa mesma platéia barulhenta que abraçou A CHAVE DO SOL em todas as apresentações, desde a primeira. Além das mais de mil pessoas que os assistiam in loco, haviam incontáveis outros os acompanhando pela televisão; além de olheiros de gravadoras, executivos musicais e a cúpula da TV Cultura. À principio, o grupo teve alguma indisposição com os técnicos de som, pelo guitarrista Rubens Gióia querer usar seu amplificador Music Man ao invés do Palmer e Zé Luis não abrir mão de sua Tama em detrimento da Gope que a produção dispunha. Passado esse perreio, todo o contato com a produção foi tranquilo.


Nota na Folha de SP
Das demais atrações, apenas o vocalista do TONELADA E SEUS KILINHOS (grupo de Rock satírico), era conhecido do Rubens. A CHAVE DO SOL conhecia o trabalho dos violonistas do DUO FEL (jazz erudito de raiz brasileira instrumental) e a cantora Tetê Espíndola, do movimento "Vanguarda Paulista"; os demais eram ilustres desconhecidos como nosso trio; pois ainda que esses nove meses de trabalho tenham sido árduos nada significavam ao grande público. Ruídos vindos da platéia, gente correndo, a banda esperava no camarim após o soundcheck e finalmente foi chamada para tocar.

Expectativa no ar, desânimo nos técnicos, mas logo o amplificador Music Man foi montado e A CHAVE DO SOL mandou ver com "Utopia". De largada com palmas tímidas sendo substituídas pelo pessoal dançando, fazendo air guitar, enfim, aproveitando o som. A CHAVE DO SOL, em seu som carismático animou aquela galera. Em breve, ela seriam conquistada de verdade.



Ao fim desse rock, apresentador Tadeu falava com a platéia rapidamente e logo anunciou outra canção. Nesse ínterim, alguém na platéia "xingava" o Domingues de "lagartixa". O mesmo, sem bronzeado algum, estava descamisado trajando macacão de jardineiro e lenço amarrado no pescoço. Felizmente, foi só um chiste e não se tornou viral comprometendo o espetáculo.



Os produtores se sentiram desconfortáveis com a música seguinte, "Crisis Maya", pois essa tem quase o dobro de duração dos três minutos esperados por eles! A platéia ficou impressionada com esse tema jazzistico, cheio de desenhos individuais e nem a leve desafinada na Fender Stratocaster de Gióia - pelo uso "abusivo" da alavanca - atrapalhou. Enquanto Rubens afinava, após a música, o conjunto foi entrevistado pela apresentadora programas infantis Silvana Teixeira, que eles haviam encontrado um pouco antes usando o banheiro do camarim deles. Ainda que o líder fosse o baixista Luiz Domingues, a moça foi levada a crer que 'quem canta é quem manda', indo entrevistar o baterista Zé Luis.

"Vi gente pulando, como se estivesse numa arquibancada de estádio, comemorando um gol. Foi uma explosão incrível de euforia, que extrapolava a mais otimista previsão que poderíamos ter feito".
LUIZ DOMINGUES.

Então, veio a melhor performance da noite, e a canção mais longa, a única que foi ao ar. Luiz iniciou o riff no baixo para seus parceiros entrosados e tão tranquilos quanto para prosseguirem a canção. As reações da platéia foram em crescendo, passando pelo solo de baixo em que nosso mestre das quatro cordas fez inúmeras caretas, trejeitos e entrou na onda do camera-man proporcionando enquadramento nada usuais, mas muito apreciados. Chegou o solo de bateria, e numa platéia que começou sem saber o que ia ver estava no máximo de empolgação. Rubens, o que toca "mais parado do trio", tinha a seu favor seus malabarismos à la JIMI HENDRIX que arrancaram muitos aplausos.



E o público pediu "bis"! Claro que tal não seria possível e logo o grupo foi levado pela produção ao camarim, onde além de calorosa recepção cederam uma entrevista à radio Cultura AM. Foram feitas as perguntas de praxe a um artista desconhecido incluindo as perspectivas da gravação de um disco...

O grupo deixou as dependências do Sesc Pompeia bem animado. Nada mal para uma noite de terça-feira, hein? No dia seguinte, pela primeira vez na carreira, o baixista Luiz Domingues foi reconhecido por um fã na rua. Um moço o pediu autógrafo no metro Tatuapé. E o programa só iria ao ar no sábado! Aquele havia sido o maior público da banda até então.



No sábado,16, o power trio se reuniu na casa de Rubens Gióia para primeiro se ouvir na Rádio Cultura AM (entrevista mais execução de "18 Horas") para depois ter se ver na televisão. Uma anedota é que uns dias depois, o baixista Luiz Domingues encontrou com seu pai - então relutante à carreira escolhida de músico - que lhe aconselhou a não fazer tantas caretas assim quando tocasse na televisão!

"Bem, realmente olhando o vídeo, acho que exagerei um pouco, mas...eu tinha 23 anos de idade, vinha de uma luta de 7 anos para chegar num momento daquele, e sentindo a banda explodindo, e com o público respondendo, empolguei-me, naturalmente...".
LUIZ DOMINGUES.




A SEGUNDA APRESENTAÇÃO.

Pouco depois a banda foi contatada pela TV Cultura informando que muitas cartas estavam chegando perguntando, querendo saber mais d' A CHAVE DO SOL, pedindo que eles voltassem ao programa. E eles logo voltariam de uma maneira inusitada: num rápido anúncio às vésperas de um show que o conjunto fez no no bar "Espaço Aberto", no chique bairro de Pinheiros (à época sem muita tradição em casas noturnas, acredite), em seis de setembro. Era um dia de semana num bar sem laços com o Rock'n'Roll e lá estavam mais de 100 cabeludos e rockers esperando pela A CHAVE DO SOL. Muito infelizmente, o bar cobrava um cachet salgado e metade desse público dispersou frustrado sem poder assistir ao espetáculo.



À partir de então, até julho do ano seguinte, o baixista Luiz Domingues voltou a fazer parte do LÍNGUA DE TRAPO (como será explorado no capítulo posterior) e após uma "decepção quanto a escolha de gravadoras", A CHAVE DO SOL voltou ao Fábrica do Som para participar de uma data especial comemorando a aniversário de JIMI HENDRIX (que se estivesse vivo completaria então 41 anos).

Assim, em 27 de setembro de 1983, a banda voltou mais confiante para o teatro do Sesc Pompeia, ainda que esse estivesse (ainda) mais cheio! Para começar, os meninos levaram o Jazz-Rock instrumental "Atila", com bateria e baixo super ousados. Agitando o mais frenético que podia, Luiz espantou-se com a expressão de espanto de João Dinola, irmão do baterista José; após vários shows para menos de 100 pessoas, ver o grupo na TV com um teatro lotado o fez crer que A CHAVE DO SOL ia estourar, não havia dúvidas! Todavia...



A segunda faixa executada foi "Dança das Sombras". Esse tema, com mais de oito minutos, começava num funk setentista puxado pela bateria para se converter num Jazz com muita liberdade de improviso e convenções estrategicamente coladas. E a adrenalina à mil por hora fez bem aos improvisos e acrescentaram ondas de ovações da platéia a cada malabarismo hendrixiano de Rubens Gióia. Ressaltamos que dessa vez, Zé Luis tocou com a bateria Gope da produção. Se você reparar nos vídeos, somente na primeira apresentação o músico pode usar sua própria bateria.

A ideia era só tocar essas duas músicas mesmo, dado a duração inusitada das mesmas. Todavia, por um artista ter faltado, a produção pediu que A CHAVE DO SOL tocasse em uma jam session com outra banda que estava se apresentando naquela noite, o ARARA DE NEON; um conjunto de Reggae - pop! Ficou acertada que a música seria "Johnny B. Good" do CHUCK BERRY. Com harmonia 'quadrada' de três acordes, era menos improvável que alguém errasse por não ensaiar o número antes! Zé Luis ficou na bateria, com o batera do Arara na percussão, Luiz ficou nas escalas de Rock no baixo e baixista do Arara fazendo frases soltas, com Rubens e o outro guitarrista combinando rodízio de solos. Ideias furadas e inusitadas que só os produtores de TV tem.... e que vão ao ar! Não que tenha sido um desastre, mas para ambas as bandas teria sido melhor televisionar um registro próprio.



A gravação dessa jam existe, mas Luiz Domingues ainda não a disponibilizou.

"O lado bom de ter participado disso, foi que ganhamos mais alguns pontos no conceito do pessoal da produção, e aliado ao sucesso evidente que fizéramos de público, tanto ao vivo, quanto telespectadores (muito mais cartas chegaram à TV Cultura, ficamos sabendo), selamos a nossa participação no programa especial de um ano de Fábrica do Som, a ser gravado no mês posterior, novembro de 1983".
LUIZ DOMINGUES.


De volta ao camarim, A CHAVE DO SOL foi novamente entrevista pela Rádio Cultura A.M. com perguntas similares. Dessa vez, contudo, o a gravação do disco já era mais certa.... mas só ocorreria no próximo ano.


A TERCEIRA PARTICIPAÇÃO.



Após a festa de um ano da banda, o festival Fico e a primeira apresentação em Atibaia, A CHAVE DO SOL regressou ao programa em sua festa de primeiro aniversário; o que podemos dizer foram três festas comemorativas na sequência! Nessa feita, entretanto, a gravação foi no Circo Mágico - estacionamento do Parque de Exposições do Anhembi e com entrada paga.

Honrados com o convite estava nosso power trio, pois se tratava de uma edição dos "melhores daquele ano". Muito infelizmente, A CHAVE DO SOL foi o número de abertura, mas a pedido deles próprios, pois como dividiam o baixista com o LÍNGUA DE TRAPO, o Domingues tinha de correr para cumprir o outro show no mesmo dia, esse no Teatro TUCA, em Perdizes, Zona Oeste. O único outro grupo que eles viram foi o PREMEDITANDO O BREQUE.

Ao contrário da participação anterior, dessa vez a banda atacou com dois temas cantados. O primeiro, que foi ao ar, foi "Luz". Ele foi escolhido pela certeza de que entraria no disco que a ser lançado. Como nota cômica, durante essa música, o baixista Luiz Domingues deu tropeço enquanto agitava para soltar o cabo de instrumento, que havia prendido em sua perna. Você consegue identificar esse momento no vídeo?





O próximo som apresentado permanece inédito de tudo até hoje. Se chama "Reflexões Desconexas"; um Hard-Rock com pegada de Jazz-Rock, e nítida influência de MPB setentista, principalmente por conta de um contraponto vocal que o Zé Luiz criou como arranjo, executado por ele e Domingues, mesclando-se ao vocal solo do Rubens.

"'Reflexões Desconexas' era muito complexa; com linha de baixo e bateria bem requintadas; convenções; uma bela melodia "JeffBeckiana" numa das inúmeras intervenções do Rubens; mudanças de ritmo bruscas; e essa parte mezzo-MPB, que causava uma deliciosa estranheza aos ouvidos de Rockers mais radicais".
LUIZ DOMINGUES.

Uma outra anedota se passou, adivinhem, com Luiz Domingues. Em meio à performance incandescida do Homem-Baixo, ele bateu a mão (headstock) do instrumento em algum lugar, desafinando as cordas Ré (D) e Sól (G). O músico ainda tentou afiná-las no meio da música, sem conseguir e ainda perdeu um pouco a concentração e o tempo. 99% do público não percebeu e nem os músicos saíram cabisbaixos, mas um pouco chateados.

"Salvo a minha pressa, e essa falha em "Reflexões Desconexas", foi mais uma boa apresentação na Fábrica do Som, o que só reforçava a ideia que os tempos de anonimato para A CHAVE DO SOL certamente haviam ficado para trás, e dessa maneira, vivíamos uma nova etapa, desde quando nos apresentamos na Fábrica do Som, em julho daquele mesmo ano, pela primeira vez".
LUIZ DOMINGUES.

A QUARTA APRESENTAÇÃO.

Dessa apresentação em novembro de 1983, A CHAVE DO SOL ficou até maio do ano posterior sem fazer shows, se dedicando exclusivamente a gravar seu compacto de estréia. E o retorno aos palcos se deu novamente na Fábrica do Som. Em 27 de março, exibido dia 31, a banda tocou pela primeira vez sons repetidos no periódico televisivo; sendo que da trinca "Luz", "Crisis Maya" e "Atila", as duas últimas foram televisionadas.



Considerada a apresentação mais comedida das seis, tanto em termos técnicos como de recepcidade do público, os "gatinhos" da Chave do Sol (como são chamados no começo do vídeo acima), tiveram uma performance honesta. Nesses vídeos, vemos Rubens Gióia com o cabelo bem mais curto que o normal. Acontece que ele havia sido padrinho de casamento de sua irmã mais velha, a Roseli; que não aceitou um cabeludão chegando na igreja, mesmo que fosse de rabo de cavalo!



Um outro ponto a ser mencionado é que Zé Luis usaria uma camiseta com o logo da banda, vamos explicar isso no capítulo seguinte, mas a mesma não ficou pronta para esse show. Dessa vez  sem entrevista.

A QUINTA APRESENTAÇÃO.

Essa foi a mais inusitada de todas, e inesperada, acontecendo para evitar briga! Há bem da verdade, A CHAVE DO SOL estava agendada para se apresentar no programa dia 26 de junho. Mas, a produção os convidou para pintar lá uma semana antes só ver e curtir a gravação do programa. Lá chegando, nosso trio foi encaminhado para sentar no mezanino.

O pessoal que veio para o show via A CHAVE DO SOL sentada lá, aplaudia, comentava com os amigos, rolava aquele burburinho, de banda que está "estourada no underground"; mesmo que o disco ainda não tivesse sido lançado. Então, eis que começa um bate-boca entre produtores do programa e técnicos da TV Cultura, que leva os técnicos de som a começar a desmontar o P.A. e o palco.

"Durante o soundcheck, no período da tarde, um músico de uma banda, "bateu boca" com um câmera man da TV. A discussão acalorou-se, e chegou às vias de fato. Em meio à pancadaria, alguém pegou um pedestal de microfone para utilizá-lo como arma, e o quebrou, causando a revolta dos responsáveis pelo PA., que também entraram na confusão.Mesmo com a turma do deixa disso separando os brigões, o clima azedou, naturalmente. Até aquele instante, os produtores do programa tentavam convencer os turrões a relevarem, e filmarem normalmente o programa. Contudo, os técnicos do P.A.se solidarizaram com os da TV, e todos se recusaram a trabalhar (...)  Foi quando um produtor da TV Cultura nos abordou, e nos pediu para fazermos um micro show relâmpago, pois eles temiam que o público se revoltasse com o cancelamento das filmagens do programa naquela noite, e iniciasse um quebra-quebra".
LUIZ DOMINGUES.

Então o apresentador Tadeu Jungle explicou à platéia que A CHAVE DO SOL faria um show surpresa para eles, mas que seria sem P.A, sem bateria amplificada, que eles entendessem e tal. Ninguém entendeu bem o que ele queria dizer, mas todos concordaram em esperar Zé Luis e Rubens irem buscar os amplificadores e instrumentos.



Tão logo a dupla voltou, o trio montou tudo lá mesmo. Dado o caráter emergencial da coisa toda  - como sem PA, retorno, mesa de som etc, a qualidade sonora para um teatro com 1mil pessoas gritantes parecesse um rádinho de bicicletária - parte do público pode sentar no palco para ver a banda tocar. E eles tocaram por 45 minutos. Quem estava bem perto ao palco se divertiu até, mas a maioria do povo foi dispersando e indo embora durante a apresentação.

A SEXTA APRESENTAÇÃO. 


Já na condição de preferidos do professor, em 26 de junho A CHAVE DO SOL para então a derradeira apresentação no programa. E melhor de tudo, o registro de estreia chegara da fábrica, especialmente para ser lançado na Fábrica do som.



O grupo já chegou atacando com "Luz". Ao final da mesma, um esbaforido e cansado Luiz Domingues começou a dar seus recados, explicando que aquele era um trabalho autoral de uma banda independente, a que a distribuição do disco era precária, que o mesmo só estava à venda na loja Baratos Afins, ou pelo correio.

Nota na Folha de SP indicando o show.

Começam gritos da galera e vem dois rapazes correndo querendo arrancar o disco das mãos do baixista, que num impulso o jogou para a platéia .... e compacto acabou preso na estrutura de teto do teatro!!!



"Os dois garotos que quase arrancaram-no de minhas mãos, saíram resmungando, e numa fração de segundos cheguei a pensar no quanto o artista passa de uma situação de veneração à de repúdio, num piscar de olhos... Num impulso, ainda fui ao microfone e exclamei : "Foi Deus que quis assim", referindo-me ao fato do compacto ter ficado quase no teto, portanto perdido".LUIZ DOMINGUES.


Sem perder mais tempo, A CHAVE DO SOL apresentou o próximo som, uma novidade aliás, chamada "Anjo Rebelde". Após tocarem a mesma e se despedirem, a banda foi abordada no camarim por um rapaz com o disco que havia ficado preso no teto em mãos e pedindo um autógrafo. Como ele conseguira a façanha? Ele era bombeiro e estava acostumado a escaladas!!!


Nota na Revista Veja sobre esse show.

"Infelizmente o programa saiu do ar pouco tempo depois, por uma mudança de mentalidade na cúpula da TV Cultura (incompreensível, aliás...), e nunca mais houve outro programa tão democrático para exibir bandas novas de trabalho autoral, na TV, sem o famigerado jabá das cartas marcadas".
LUIS DOMINGUES.

Até então pensava-se que somente o apresentador Tadeu Jungle sairia do programa, mas A Fábrica do Som acabou, nunca mais foi gravado outro programa. Todavia, A CHAVE DO SOL continuou se apresentando na televisão, na TV Cultura inclusive. Nunca, contudo, tantas vezes, num mesmo, nem no Realce Baby. Não mais repetiu-se uma recepção tão boa de platéia em programas de televisão, aquela mágica que esteve presente nessas seis apresentações.

Nos anos dois mil, o MusiKaos, na mesma emissora, queria recriar o clima único d' A Fábrica do Som. Uma nova A CHAVE DO SOL chegou a se apresentar, mas o elo entre A CHAVE DO SOL e A Fábrica do Som foi único e insuperável. Não há como ter revival.

Quem sabe a numerologia encontre uma explicação na similaridade de nomenclaturas, pois o vivido nesses vídeos e descritos nesse capítulo é algo tão positivo que não tem explicação.


26 de julho de 2016

Documentário "Brasil Heavy Metal".

A CHAVE DO SOL  é, foi, ou pode ser considerada uma banda de Heavy Metal? A polêmica persiste não somente entre os fãs, mas os próprios membros da banda e críticos nunca chegaram, ou mesmo - pelo andar da carruagem - chegarão, a um consenso no que tange a esse assunto.

Enquanto segue a polêmica se a nossa A CHAVE DO SOL pode ou não (nota do editor: não!) ser classificada na ceara do gênero bretão iniciado pelo JUDAS PRIEST, o recém-lançado documentário Brasil Heavy Metal (2016, 122 min, legendado) incluiu citações ao grupo em diversos momentos.




A mais emocionante participação da bandao é a lembrança do saudoso vocalista Fran, que também agraciou o ANO LUZ com sua potente voz. Não obstante membro algum d' A CHAVE DO SOL ser entrevistado, essa é, até onde nosso conhecimento permite dizer, a primeira inclusão do grupo em um filme. Nós não entregaremos spoilers, então, quem quiser saber dos contextos, situações em que A CHAVE DO SOL abrilhante o filme, terá de assistí-lo. O DVD vêm acompanhado de um CD com bandas clássicas da época gravando, ou regravando, músicas especialmente para a película; porém A CHAVE DO SOL não participou.



Lembramos que além de, claro, os grupos de Heavy, Thrash, Black, Speed  etc Metal dos quais se propôs a dar conta, o longa metragem do diretor Micka Michaelis também cita outros conjuntos de Hard Rock paulistas, como o ZENITH, ANJOS DA NOITE, A CHAVE (sem sol), mas se esqueceu de outros nomes da mesma época, como por exemplo, o ELFFUS, de Brasília, ou o VLAD V, de Santa Catarina.
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31 de maio de 2016

Demo tape inédita de 1983.

O tempo não existe para quem se esforça. Essa devia ser a máxima que A CHAVE DO SOL tinha como base de apoio em maio de 1983. Com oito meses de banda, tendo recém perdido uma excelente vocalista e um contrato de estabilidade num bar chic e elegante, o grupo seguiu buscando oportunidades. Se auto-produziu e conheceu prejuízo. Deveria forcejar outras casas noturnas e, portanto, financiou uma fita de demonstração, as populares demo-tapes. Com gravação caseira e não muita sofisticação e/ ou conhecimento de como realizar semelhante registro, e tomando as devidas proporções, a fitinha, que não foi escutada desde 1983 até 2016 (e nem possivelmente armazenada corretamente), apresenta excelente qualidade de gravação.



Lembramos que o caráter da gravação foi emergencial, nitidamente "precisamos tocar, alguém tem que contratar nossos shows e para isso necessitamos de um material de amostra". Adicionalmente, cada tema da mesma foi registrada em ensaios ao vivo em um único take, sem overdubs ou sobre-posições.



Em uma época em que o Hard Rock mainstream era gravado com produtores que cobraram preço de ouro e todo o nicho musical estava na mão das gravadoras, que queriam lançar moda e lucrar muito em cima delas, a A CHAVE DO SOL foi ousada. As músicas do grupo eram nada comerciais, em nada seguiam a cartilha em voga na época.



Mais do que as músicas não serem comerciais, o grupo apostou em três longos temas instrumentais que fretavam com o Fusion (Jazz-Rock) e o Blues Rock. Para ser mais démodé, ainda haviam dois covers na fita, um dos anos 1960 e outro dos primóridos do Rock'n'Roll, na década de 1950. As composições próprias com vocal não eram em nada convencionais e os arranjos evocavam, em consonância com a proposta do trabalho, o som clássico e idealizado de décadas passadas do Rock pesado.



Nesse momento da década de 1980 havia uma ideia senso comum de que tudo que já passado no Rock'n'Roll não era bom o suficiente para aquele tempo. Que a própria noção de Rock precisaria ser reconstruída por aquela geração. Ideologia essa que respaldava os novos estilos que surgiam e em que as gravadoras investiam. Um processo de retro-alimentação.



A CHAVE DO SOL, nesse momento, buscava contatos para se apresentar em bares, não, um contrato de gravação. Todavia, tal modus operanti das gravadoras era reproduzido no underground, pois já há mais de trinta anos, o que está na "crista da onda" é o que lota os bares. A CHAVE DO SOL teria então alguma chance de conseguir chegar lá? Sim e pelo seu próprio esforço e esmero na construção deste trabalho. Ainda que o caminho não tenha sido fácil, foi com essa fita que o grupo conseguiu seu contato com o programa de televisão A Fábrica do Som; que realmente os fez famosos. Novamente, a temporalidade, o démodé, o fora de moda, não existe para quem acredita no seu trabalho.



Analisando-se o registro, gravado em uma só aba de guitarra, salta aos ouvidos o grande esmero, sincronia e afinidade que os músicos d' A CHAVE DO SOL tinham entre sí. São músicas intrincadas executadas sem erros, como somente as horas intermináveis em incansáveis ensaios cotidianos permitem atingir. Ainda que o som de bateria esteja um pouco fraco, o timbre da guitarra é adequado e o baixo soa forte. As duas canções conhecidas da fita, são os números de abertura, "Luz" e "18 Horas" as mesmas do primeiro registro do conjunto, que sairia em compacto simples no próximo ano. São quase como uma cópia xerox, os mesmos arranjos, diferenças menores de execução aqui e acolá; dispensando maiores explanações. "Utopia", esse belo conto fantástico, foi inspirada pela versão do THE WHO para "Summertime Blues", porém é diferente o suficiente do modelo para ser acusada de plágio por qualquer maneira. Ela também é a única prova dos talentos do baterista José Luiz Dinola como cantor. Se A CHAVE DO SOL fosse o BLACK SABBATH, "Utopia" seria sua "It's All Right".



As outras duas faixas instrumentais são "Atila" e a longa "A Dança das Sombras". A primeira tem o gosto do TEN YEARS AFTER ainda dos anos sessenta, um jazz-rock com destaque para o trabalho impecável de Luiz Domingues. A segunda tem começo muito intrincado e, infelizmente, a guitarra de Rubens Gióia soa com timbre um tanto ardido. É uma canção mais difícil para o público em geral, e especialmente os dos barzinhos, tendo sido acertada a sua escolha para o final do k7. Esses quatro temas deveriam, contudo, ser oficialmente registrados.

Nos dois covers presentes, o de JIMI HENDRIX EXPERIENCE e de ELVIS PRESLEY, A CHAVE DO SOL fez o possível para manter o arranjo original, mas já dando mostras de sua originalidade. O destaque de ambos é Rubens Gióia. Os solos genuínos  foram refeitos com muito bom gosto e o guitarrista se sai muito bem como vocalista. Seu inglês, ainda que não irretocável, é suficientemente bom (lembre como as bandas nacionais cantavam em inglês nessa época). Na composição de Perkins, A CHAVE DO SOL ainda fez um arranjo blues muito certeiro ao final.



Como a banda ambicionava os palcos, talvez o único erro da fita demo seja a ordem das músicas, por já colocar uma instrumental logo no começo do registro. Como é de conhecimento público, muitas vez os "responsáveis" por esses estabelecimentos nem se dignavam a ouvir os cassetes inteiros, o que justificaria colocar todas as "apostas", os destaques da fita no começo. Doravante, uma sugestão de ordem que pudesse ser mais eficiente seria "Luz", "Utopia", "Purple Haze", "18 Horas", Blue Suede Shoes", "Atila" e "A Dança das Sombras". Tal alvitre, por conseguinte, cai na ceara dos testes de possibilidades; já que como conta a História, esse fita caseira conseguiu abrir a porta necessária para fazer, naquele momento, A CHAVE DO SOL famosa.

Demo Tape, maio de 1983 (33:55).

Faço o download em Mp3 aqui:
http://www.mediafire.com/download/uhzuw863sk0n7xn/A+Chave+do+Sol-+Demo+Tape+1983.rar

01 . Luz (04:39)
02 . 18 Horas (08:37)
03 . Purple Haze (03:24)
04 . Átila (03:38)
05 . Utopia (03:11)
06 . Blue Suede Shoes (03:04)
07 . A Dança das Sombras (07:25)

Temas 02, 04 e 07 compostos por Dinola, Gióia e Domingues.
Tema 01 composto por Domingues.
Tema 03 compostos por Hendrix.
Tema 05 composto por Gióia e Domingues.
Tema 06 composto por Perkins.


A CHAVE DO SOL:

Rubens Gióia - Guitarra e Vocal (faixa 01, 02, 04).
José Luiz Dinola - Bateria e Vocal (faixa 05).
Luiz Domingues - Baixo.

Gravação e produção em maio de 1983 : A CHAVE DO SOL
Material armazenado em fita K7 e digitalizado em 2016
Fotos promocionais e ao vivo de 1983 : Seiji Ogawa
Material de portfólio : Acervo de Luiz Domingues
Produção para a Internet em 2016 : Jani Santana Morales
Resenha por Willba Dissidente.
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23 de maio de 2016

Rubens toca A CHAVE DO SOL com banda 6L6 em seu aniversário de 2016.

Em sua festa de aniversário para o presente ano, realizada numa sexta-feira, a primeira do mês de maio, o guitarrista Rubens Gióia se juntou ao baixista e vocalista Daniel Kid mais o baterista Luiz Albano para reviver o grupo 6L6. No repertório, o power trio refez grandes músicas de nomes como JIMI HENDRIX EXPERIENCE, QUEEN, JEFF BECK, YARDBIRDS e também rolaram dois clássicos d' A CHAVE DO SOL, primeiro "Sun City" e também "Luz".




Na festa sediada no bar Santa Sede, próximo à estação Jardim São Paulo do metro, em São Paulo, capital, estavam presentes muitos rockers e inclusive representantes de alguns programas de rádio web, como Stay Rock e Massacre Sonoro, e o casal Cátia e Edgard "Bolívia" Rock, que além de registrarem inúmeras fotos bem sacadas do evento, ainda gravaram quando o 6L6 levou as duas músicas d' A CHAVE DO SOL. Confira abaixo!



Há também uma filmagem solo para a música "Luz" que contou com o vocalista e mestre de cerimônias Willba Dissidente como frontman.



Os fãs e admiradores do trabalho, agradecem o presente, esperam que o power-trio siga as atividades e inclua mais canções d' A CHAVE DO SOL em seu set-list.


Foi com essa palheta que Rubens comandou sua festa rocker de aniversário para o ano de 2016.
Banda 6L6:

Daniel Kid - baixo e vocal.
Rubens Gióia - vocal e background vocals.
Luiz Albano - bateria.


15 de maio de 2016

Discografia completa para download

Mantendo sua orientação de buscar dos artistas mais recentes aos pioneiros e dos aclamados aos undergrounds, o blog Armazem do Rock Nacional disponibilizou recentemente TODA a discografia oficial d' a A CHAVE DO SOL para cópia e tem o disco da A CHAVE (sem sol), a popular THE KEY.

A postagem inclui uma mini-biografia escrita pelo baixista Luiz Domingues ao Wikipedia, que já havia sido reproduzida em outros sites, como A Nave dos Deuses.

Lembramos que os arquivos em MP3, legalmente, só podem existir por 24 horas após serem copiados, ou você terá de adquirir os discos originais, e também que a responsabilidade pelos mesmos são do site fonte, ou seja, o Armazem do Rock Nacional.

A CHAVE DO SOL antes do show na Pq. da Aclimação, Praça do Rock, em 1985.
Confira a postagem, na integra, em:
http://armazemdorocknacional.blogspot.com.br/2014/03/a-chave-do-sol.html

Senha para descompactar os discos: brrock

Obrigado por manter a chama acesa, Armazem do Rock Nacional!
Os fãs d' A CHAVE DO SOL agradecem!

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7 de abril de 2016

Vídeo do show de 1986 no Palmeiras (Metal IV.)


Tocar no Salão de Festas da Sociedade Esportiva Palmeiras, era super importante para A CHAVE DO SOL, pois o  ginásio do Palmeiras "...tinha longa tradição em realizar shows de Rock; MPB; e festivais, há décadas. Até a Soul Music tinha tradição ali...", além de artistas internacionais e nacionais de destaque, como TIM MAIA e RAUL SEIXAS. Tal show, o Metal 4, realizado em 03 de maio de 1986, junto com o SALÁRIO MÍNIMO, ABUTRE e CENTÚRIAS, foi produzido por dois jovens que ainda prometiam que realizariam video-clips das referidas bandas.
A CHAVE DO SOL chegou a filmar um promo de "Saudade", porém o mesmo nunca ficou pronto.

Essa gravação fragmentada, a chamada "copião" (sem edição) e de uma câmera só ficou perdida por muitos anos, sendo com enorme prazer que o blog: A CHAVE DO SOL, com uma ajudona dos amigos Jani, Luiz e Paulo (ver créditos) a disponibiliza para os fãs do trabalho. No que pese toda as intempéries para que houvesse esse registro, a qualidade do bootleg está excelente.



Set-list:

00:00 - 01 - O Que Será de Todas as Crianças? (corte e solo de baixo)
06:30 - 02 - Saudade
08:40 - 03 - Um Minuto Além (completa)
15:40 - 04 - Crysis (Maya)

A CHAVE DO SOL (1986):

Rubens Gióia - Guitarra e Voz
José Luiz Dinola - Bateria
Luiz Domingues - Baixo
Roberto Cruz - Vocal



Para maiores informações e MP3 desse show, clique aqui:
http://achavedosol.blogspot.com.br/2015/10/um-minuto-alem-com-beto-nos-vocais.html

Para ler a resenha desse show, publicada na Revista Metal 22, por Antonio CM de Magalhães, clique aqui:
http://s1179.photobucket.com/user/Willba80/media/Metal22II.jpg.html

Créditos e agradecimentos.

Material resgatado nos anos noventa por Paulo Thomaz, baterista do CENTÚRIAS à época.
Digitalizado em 2006 por Luiz Domingues.
Produzido para a Internet em 2016 por Jani Santana Morales.

2 de março de 2016

Conheça a carreira completa do guitarrista Rubens Gióia!


Saudações! Continuando nosso trabalho de apresentar, cronologicamente, as biografias cruzadas do membros d' A CHAVE DO SOL, hoje é dia de abrir os arquivos pessoais do guitarrista Rubens Gióia. O maestro das seis cordas, ele foi o fundador d' A CHAVE DO SOL, seu sonho de infância, grupo que criou aos 12 anos enquanto ainda aprendia a tocar. Rubens é, portanto, o único membro que esteve em todos os shows eventos etc referentes `a A CHAVE DO SOL.



Rubens Gióia em 1985, numa foto que acabou não ilustrando o EP "Anjo Rebelde".

01 . A CHAVE DO SOL (1978-1980).

Formada por Rubens junto com Dedé Maluco (baixo) e Sílvio Sisudo (bateria) , A CHAVE DO SOL, como já foi dito foi seu sonho de adolescência e sua criação, sua obra-prima. A primeira versão da banda se formou após o músico dominar o instrumento e, infelizmente, não deixou registros. "Um sonho de infância não sai fácil da gente" e A CHAVE DO SOL voltaria algumas vezes. Para efeitos de classificação, essa primeira versão da banda é mencionado no blog como "A Chave Não Famosa".

02 . SANTA GANGUE (1980-1981).



Rubens foi membro do SANTA GANGUE, gravando o único registro do grupo, o EP "Rock 'n' Roll pra Valer". Ainda que não apareçam na foto de capa, os dois ex- A CHAVE DO SOL MK I, Gioia e o baterista Sisudo, foram quem gravou o disco e saíram juntos da banda. O grupo, claramente influenciado por THE ROLLING STONES, THE FACES e outros, infelizmente, findou após seu único registro fonográfico. Curiosamente, Charles Gavin do TITÃS, antes da fama, é quem aparece na foto do disco.

03 . MADE IN BRAZIL (1981)


Talvez pela similaridade de estilos, Rubens passou alguns meses pelo MADE IN BRAZIL , à chamado de amigos do baterista Sisudo que também compunha o SANTA GANGUE. Como foram só alguns shows, inexistem registros.

04 . A CHAVE DO SOL (1982 - 1987).


Em 1982, Rubens se juntou com Luiz Domingues e Zé Luis Dinola. O músico se considerava o pior entre os, respectivamente, baixista e baterista. Doravante, passou a "apelar a pirotecnias" como tocar com os dentes, nas costas e muitos trejeitos que faziam sucesso entre os admiradores do trabalho.

Rubens tocou em todos os registros d' A CHAVE DO SOL:

- O compacto "18 Horas / Luz", de 1984;



- O EP "Anjo Rebelde", de 1985;



- As duas demo tapes de 1986;





- O Full-lenght "The Key", de 1987.



Nesse ponto, acreditando que o grupo se tornou "mais mercadológico que artístico", o guitarrista abandonou o barco, e como o nome da conjunto era uma marca sua, A CHAVE DO SOL teve de acabar. O ponto final veio em uma reunião entre o natal de 1987 e o reveillon de 1988. Até então, o lançamento do disco metade em português e inglês, excluindo composições suas como "Saudade", "O que será de todas as crianças" em favor de "A Woman Like You", "Sweet Caroline", foi "o começo do fim".

Os membros remanescentes mudaram o nome do grupo para A CHAVE e lançaram um disco como se chamassem THE KEY.

05 . A CHAVE DO SOL (1989).


Houve de fato, a ideia de remontar o grupo ainda nos anos oitenta buscando a sonoridade do início de carreira. O baterista José Luiz Dinola havia topado, mas o Luiz Domingues declinou, por estar, justamente, na banda dissidente d ' A CHAVE DO SOL, A CHAVE. Não foram realizados ensaios e o plano foi descartado.

06 . PATRULHA DO ESPAÇO (1989-1992).

Sendo recrutado pelo amigo de longa data, e de quem era fã, o baterista Rolando Castello Júnior, Gióia se juntou ao baixista Sergio Santana. O power trio gravou algumas demos em 1990 e chegou a fazer algumas apresentação sendo a volta d' A PATRULHA DO ESPAÇO.



Todavia, uma tragédia atingiu o grupo nesse ano, que foi o falecimento precoce do baixista e vocalista Sergio Santana.

Abalados, mas sem deixar a peteca cair, A PATRULHA DO ESPAÇO foi remontada, adicionando o vocalista Percy, o baixista Rene Seabra (ambos já falecidos) e o guitarrista Xando Zupo (PEDRA, BIG BALLS). Rearranjando muitas temas antigos para a sonoridade Heavy Metal oitentista e lançando dois números, o resultado, sob produção de Paulo Zinner (GOLPE DE ESTADO,) foi o LP "Primus Inter Pares".

O disco, merecidamente, é uma homenagem ao Sergio. Infelizmente, ele só lançado oficialmente um ano após ter sido gravado.



07 . YANKEE (1992 - 1993).

Quando o empresário Aldo Ghetto ouviu o cantor André Cock e conheceu suas ideias para uma banda de Hard Rock, ele soube que tinha em mãos uma chance grande para um grupo de sucesso. Não medindo esforço, Ghetto chamou os melhores para trabalhar com o conjunto, que se chamaria YANKEE, o produtor Marcelo Sussekind, do HERVA DOCE e Rubens Gióia como colaborador.



O guitarrista arranjou todas as músicas, gravou todas as guitarras e ainda compôs alguns temas. Para os shows, a banda teria outra formação. Estava tudo certo para o estrelato, porém o vocalista André Cock, tragicamente faleceu num acidente de carro. Com a morte do lider do YANKEE, a banda nem teria como continuar.

08 . PATRULHA DO ESPAÇO (1995).



Após o fim da banda, o drummer 'n' dreamer Rolando Castello Júnior, se especializou no ramo de Workshops por todo o Brasil. Em um giro específico pelo sul do país, ele chamou conhecidos ex-patrulheiros para tirar a nave do Hangar: Percy, Cockinho (ambos já falecidos) e Rubens Gióia. O grupo ainda teve tempo de fuzuarcar no estúdio, porém, ainda que se cogitasse um álbum, somente uma nova demo de "Gata" nasceu desse trabalho. "Com a Patrulha eu toquei muito, mas gravei pouco", avaliou o guitarrista.

09 . A CHAVE DO SOL (2000 - 2012).

À partir de então, Gióia passou ao ramo do cerimonialismo, atuando na prefeitura de SP em diversos governos. Nessa atuação, Gióia já recepcionou Unctad, Família Imperial Japonesa, Senador Jesse Jackson, Fujimori e até Dalai Lama! Paralelamente `a esta carreira, o guitar-man também se tornou produtor de shows, trazendo nomes como STING, GUNS'N'ROSES e METALLICA ao Brasil.

Ainda assim, sempre havia a vontade de voltar com seu grupo A CHAVE DO SOL. A banda se reuniu para alguns shows esporádicos.

2000 - Musikaos.


Voltando com Zé Luis Dinola e Beto Birger no baixo, a banda fez somente esse apresentação na TV Cultura.

2005 - Heavy Metal Revial.
Realizado no Blackmore Rock Bar um dia depois do show do JUDAS PRIEST no Brasil 10/09, esse evento contou com as bandas VÍRUS, SALÁRIO MÍNIMO, STRESS e abertura do COMANDO NUCLEAR. A CHAVE DO SOL estava originalmente escalada para tocar, porém, o baixista Luiz Domingues estava muito atarefado com o PEDRA e o trio original acabou cancelando.

2007 - Virada Cultural / Blackmore Rock Bar.



Com o vocalista Guto Góis, Gióia fez duas apresentações com A CHAVE DO SOL em 2007. Uma numa só deles numa quarta-feira no recinto rocker na Zona Sul de São Paulo e outro no festival Virada Cultural, a segunda edição. O evento ainda tinha MADE IN BRAZIL, SERGUEI, GOLPE DE ESTADO e PATRULHA DO ESPAÇO.

2012 - Rock na Vitrine.



Realizado na Galeria Olido, próxima `a Galeria do Rock em SP, A CHAVE DO SOL voltou para um único show com Ackua (ex- KNOCK OUT) na voz, THE CROW (ex- INOX) no baixo e Pedro Maprelian na bateria.

10 . GIÓIA, SUCATA & MUSIC-MAN (2014).

Trio de Rock e Blues formado por Gióia, Babu Sucata e Cassiano Music Man para agitar as noitadas paulistanas. A banda está ativa, porém ainda não registrou suas músicas.