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18 de maio de 2021

Uma mulher no vocal d 'A Chave do Sol. Conheça a "fase" Verônica Luhr!



“Foi engraçado, mas também bonito ver esse crescimento da banda de forma muito intensa. Parece incrível, mas diante de tantas fases que A Chave do Sol teve, essa foi uma das que mais curti, exatamente pela profunda esperança que sentia quando esse quarteto se fechou com a entrada da Verônica”.
 

(Luiz Domingues em sua comunidade no orkut).

O título de nosso post com certeza irá chocar muitos, mas sim, A CHAVE DO SOL teve uma mulher como vocalista. Ainda que a "fase Verônica" tenha durado menos de um ano, do fim de 1982 ao começo de 1983, os registros desse momento foram totalmente disponibilizados recentemente na internet. O texto a seguir foi escrito pelo baixista Luiz Domingues em forma de relato, mediante a perguntas realizadas por MARINHO ROCKER  e MARCÃO no orkut e copilado por Willba Dissidente. Posteriormente (entre junho e julho de 2014), novos fatos e fotos foram adicionados de acordo com a autobiografia de Luiz Domingues.

Este post também integra nosso esforço em traçar uma biografia da banda de maneira análoga a que os professores hoje lecionam História: por pontos específicos e não seguindo a linha temporal; por isso já escrevi sobre os anos sem nenhum membro oficial, A CHAVE sem sol, e agora abordo os primórdios da banda. Aproveite a viagem e ouça  a música ao final!

A Era Verônica Luhr: a Diva dos Olhos Azuis.
OUTUBRO/1982 À ABRIL/1983.



Estávamos em Outubro de 1982, e o guitarrista Rubens Gióia lançou a idéia de que A CHAVE DO SOL precisava de um  frontman. Ele então se lembrou de uma garota que ele havia visto cantando de forma amadora entre 1978 e 1980. No que pese a baixa qualidade do equipamento e o clima "de brincadeira", fortuito, da ocasião, Rubens convenceu os demais membros a fazerem uma audição com essa moça, que dizia ele "impressionava pela beleza física e a fantástica voz".  Loira, olhos azuis, media mais de 1,80 e trabalhava como modelo do estilista Ney Galvão (à época rival de Clodovil). Quando então a garota começou a cantar, ganhou a vaga: "tinha uma voz incrível, lembrando ETTA JAMES, MAGGIE BELL e TINA TURNER"!


Verônica Luhr com A CHAVE DO SOL no Victoria Pub.

Ela se chamava Verônica Luhr. Era uma moça simples e bem agradável no tato social. "De certa forma, seguia a cartilha da maioria das meninas que ingressam nessa carreira de modelo, ou seja, vem de famílias simples dos estados do Sul, principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul e são descendentes de italianos, alemães ou de pessoas de países do leste europeu", conta Luiz Domingues.




"Lembro-me que o fizemos de forma artesanal e o copiamos mediante xerox. Ele ficou tosco, grotesco mesmo. Vendo-o hoje em dia, parece algo deliberadamente feito daquela forma, dando-lhe aura  'cool' mas na verdade, era um horror feito nas coxas e de forma muito apressada para suprir a necessidade premente que tínhamos".


Vale ressaltar que nesta época A CHAVE DO SOL ainda tinha um set-list basicamente de covers do Rock 'n' Roll. Já existia material próprio, que continuava a ser composto.  Por isso não importou que o inglês de Verônica ainda fosse "macarrônico" na ocasião. Não obstante , a banda incluiu "Proud Mary" (CREEDENCE) e "Acid Queen" (THE WHO), ambas na versão TINA TURNER, para que a moça soltasse a voz. Verônica tinha uma afinação excelente, porém nenhuma noção musical, era um talento bruto. "Arranjos, tonalidade, andamento", disso ela nada entendia. Porém, dando-lhe o acorde certo, ela cantava direitinho. Nas palavras do baixista: o vozeirão natural e bom ouvido eram suas melhores características". Como definiu mais tarde, "havíamos encontrado uma jóia rara, ainda que bruta, a carecer apenas de lapidação".

“Começou um boca-a-boca na rua, de que havia uma banda muito louca no Devil's, com um guitarrista que tocava JIMI HENDRIX imitando a performance de tocar nas costas e com os dentes do Hendrix; Um baixista alucinado que tocava com um chapéu pontudo de bruxo e uma vocalista incrivél que cantava muito com uma performance de palco muito animada...".

O show inicial da nova fase, em 20/11/1982, foi no colégio Manuel de Paiva. A irmã do Rubens, Rosana Gióia, estava junto fazendo os backing vocals. Foi um sucesso. Duzentas e cinquenta pessoas prestigiaram a apresentação, que teve uivos, aplausos e assédio no camarim, sendo a primeira vez que o grupo se apresentou "para uma platéia que não fosse exclusivamente de parentes e amigos". Mais e mais shows foram pintando: "Verônica assumiria uma importância tão grande na banda, que por conta de sua entrada, portas importantes se abririam logo a seguir, conforme esclarecerei logo mais", declarou o baixista no orkut.


Nota no Jornal  Folha da Tarde sobre show no Devil's Bar em 1982.

Nesta época, o circuito roqueiro precorrido pela A CHAVE DO SOL era o Deixa Falar, Água Benta Bar e novíssima casa Devil's, de propriedade de Dona Sabine, na 13 de Maio (Bexiga). Lá a banda fez uma temporada logo após a apresentação no colégio. Esse foi o período mais divertido dessa fase, em princípios de 1983.  Além das dificuldades técnicas, a Verônica apresentava outro empecilho, este mais grave: nervosismo antes de entrar no palco. Para criar aquela coragem extra na hora de subir no palco, ela forçava a extroversão, o que levava à situações recordadas pelo baixista: "em meio ao seu imprevisível arsenal de encenações improvisadas, lembro-me em ouvi-la a falar coisas inusitadas, criar uma linha gestual exótica e assim, a reação do público era de frenesi". Uma outra vez, após um movimento brusco, ela tropeçou e caiu no palco, se levantando rapidamente com o público acreditando ser parte do show. Porém Verônica não era a única elétrica no palco, já que A CHAVE DO SOL, nunca foi uma banda de ficar parada: Rubens tinha seus momentos hendrixianos, Luiz e Zé Luis extrapolavam no mise-en-scené, sem prejuízo à performance.



"O chapéu foi algo totalmente improvisado. Eu achei-o no quarto de despejo da casa do Rubens, enquanto o arrumávamos para se tornar a nossa sala de ensaios. Devia ser uma peça de alguma festa de fantasia que nem o Rubens se lembrava. Pedi para usá-lo de brincadeira e ficou legal, me lembrava o Ritchie Blackmore naquele promo do DEEP PURPLE...".
O baixista também relembrou que "eram comuns os gracejos masculinos (dirigidos à cantora), mas não podíamos evitar essas reações. O Rubens que era mais esquentado, esboçava reagir, mas para não estragar as apresentações, se continha em seu ímpeto protetor". 

Algumas vezes, rapazes mais ousados saiam de suas mesas para ficar mais perto do palco e da vocalista. Uma única vez um deles tentou escalar o palco de mais de dois metros para estar perto da cantora. Na ocasião, Wagner "Sabbath", amigo que acompanhava a banda e será devidamente abordado no futuro, impediu o homem em seu intento abusivo.


 O último show daquele ano de 1982 foi a festa de Reivellon na casa do guitarrista Rubens Gióia; o qual foi mais importante no futuro do que na sua realização. No dia seguinte, o primeiro de 1983, o grupo se apresentou no Café Palheta's, num show de igual importância arqueológica para o futuro.


 Folha de São Paulo Show Água Benta 6 de janeiro de 1983.

As coisas iam de vento em popa, e A CHAVE DO SOL começou 1983 fechando uma temporada de dois meses no Victória Pub. Nesta casa, se apresentaram promissores nomes da emergente cena rock nacional, inclusive os cariocas do HERVA DOCE (de quem esse que vos escreve é fã), que á época haviam feito a abertura do show do KISS no Rio de Janeiro.  Na primeira noite, nossos amigos tocaram no palco secundário, mas depois passaram a dividir a gig principal com o TUTTI-FRUTTI ou com o FICKLE PICKLE, dependendo da escala da noite. Tudo estava perfeito e promissor, não?

Passagem de som do último show no Victoria Pub, no qual Verônica não pode tocar por estar resfriada.

O cachê era extremamente alto se comparado ao que o grupo estava acostumado até então. Logo na primeira reunião do contrato, um dos gerente da casa os passou o regulamento do estabelecimento , horário de entrada para a passagem de som, horário de show e os advertiu sobre o cuidado em não falar "palavrões" ao microfone... além de pedir para A CHAVE DO SOL se trajar o menos riponga possível, "ainda bem que não pediu para cortarmos os cabelos", ri o baixista ao relembrar o episódio. Outra imposição,  repertório tinha que conter alguns covers conhecidos e não só música autoral, além de que o volume não poderia ser excessivo. A pior de todas restrições era a clausula de exclusividade. A CHAVE DO SOL, enquanto durasse o contrato, estava proibida de agendar shows em outros lugares de São Paulo. Aparentemente, isso não era tão problemático assim; porém quando o contrato não foi renovado, como veremos à seguir, isso geraria perda dos antigos contatos.





Interior e público no Victoria Pub (Alameda Lorena, 1604, São Paulo/SP). 1982 / 1983.

Não obstante tantas proibições, a banda estava mais que feliz pela vitória que era se apresentar no Victoria aquela época. Músicos famosos, modelos, atores consagrados da TV, gente de Teatro e Cinema etc iam regularmente às noitadas no Victoria.  O público era mais playboy do que rocker. Mesmo que demonstrando grande desinteresse pelos grupos, inclusive pelo TUTTI-FRUTTI (que nesta fase fazia mais covers que sons autorais), sempre dançavam e aplaudiam as bandas, gerando bem-estar nas apresentações.




A CHAVE DO SOL se apresentava nas noites de terça e quinta-feira. Os shows de grandes bandas do emergente "movimento Rock BR", como BARÃO VERMELHO,  KID ABELHA e outras, aos sábados e sextas-feiras. O power trio paulista nunca assistiu apresentação dos mainstream, porém esperava que a proximidade com os nomes badalados, como que por osmose, acabasse por ajudar a alavancar a carreira d' A CHAVE DO SOL. Os músicos foram assediados por um dito produtor de "New Wave", que sugeriu que além de cortarem as madeixas, Rubens e Luiz pintassem cada um o cabelo de uma cor. 

Em relação ao FICKLE PICKLE, este grupo tinha em sua formação os futuros GOLPE DE ESTADO Nelson Brito e Paulo Zinner. Logo formou-se um forte vinculo entre os membros das duas bandas. Muitos discos do GOLPE DE ESTADO tem agradecimentos a Luiz Domingues no encarte, pela ajuda e auxílio deste à banda. Porém, no primeiro contato foi o baixista Nelson Brito que ajudou Domingues. "O fato é que eu estava sem amplificador nessa época e usei o aparelho do Nelson nessas apresentações no Victoria (...)  mal havia me conhecido e disponibilizou seu equipamento, numa gentileza que selou nossa amizade, de forma instantânea".



Fachada do Victoria Pub. Por volta de 1982, 1983. Fonte: Internet livre.

Ainda que estivessem proibidos de se apresentar fora do Victoria, A CHAVE DO SOL tocou, dentro da casa noturna, numa festa particular da Rede Globo. Tratava-se da comemoração pelo encerramento da mini série "Bandidos da Falange". Do programa, que abordava o submundo do crime no Rio de Janeiro", estavam presentes toda a equipe técnica, diretores e atores. Gente como Betty Faria, Roberto Bonfim, Gracindo Júnior e Júlia Lemmertz se esbaldaram e dançaram ao som d' A CHAVE DO SOL.

Pouco antes do final da temporada d' A CHAVE DO SOL no Victoria Pub, houve um acidente no palco durante a canção "O Contrário de Nada é Nada", d'OS MUTANTES e por descuido do baixista que se movia de maneira desarticulada enquanto tocava, a vocalista, infelizmente, foi acertada pela mão (headstoke) do instrumento de quatro cordas. O grupo continuou tocando e só após o fim do show o mesmo pode se desculpar. Felizmente, o acidente que poderia ter sido grave, não teve consequências.





Ao final da temporada de show no Victoria Pub, a cantora os informou que havia recebido a proposta de gravar um disco solo com contrato com uma gravadora major, sendo acompanhada por uma banda contratada.  Devemos lembrar que Nelson Brito e Paulo Zinner, novamente, à época no FICKLE PICKLE, foram empresariados nessa época por um produtor que conheceram no Victoria Pub e inclusive lançaram um disco de New Wave, o PEPINO IRRITADIÇO. Verônica então decidiu abandonar A CHAVE DO SOL e seguir carreira solo sendo a protagonista de sua própria banda. "Ela sonhou com a possibilidade de ascensão e devo acrescentar que foi uma aspiração legítima de sua parte, portanto, nesse aspecto não caberia questionamento da nossa parte", garante o baixista.

“Sendo assim, quando acabou o contrato com o Victoria, ela saiu da A Chave do Sol e nós ficamos sem perspectivas imediatas, pois todo o embalo maravilhoso que havíamos pego desde outubro de 1982, foi para o ralo, pois estávamos sem outras datas e tendo que procurar às pressas um novo vocalista ou voltarmos ao formato de Power Trio, tendo que reestruturar todo o repertório para o Rubens ou o Zé Luis cantarem. Isso sem contar o prejuízo em perder uma vocalista do potencial sensacional que ela tinha. Se tivéssemos prosseguido e com a sorte de arrumarmos um produtor...”


A cantora estava resfriada e não compareceu no último show, forçando A CHAVE DO SOL a improvisar o repertório. O grupo ainda teve a desagradável notícia que seu contrato no Victoria Pub não seria renovado. Estávamos em abril de 1983 e A CHAVE DO SOL entrava em sua primeira curva descendente. Viriam três meses de aspereza pela frente, antes que altos da banda voltassem a sobrepujar os baixos...

Rubens arrasando nos trejeitos hendrixianos no Victoria Pub em começo de 1983.

"Não acompanhei se ela realmente gravou na época ou logo depois disso, infelizmente. Tomara que sim", afirma Luiz Domingues. Ele continua, afirmando que só em 1991 que ele foi ter outra informação da Verônica: "a vi no programa do Clodovil, na TV Gazeta, se apresentando acompanhada de uma orquestra, no teatro de arame de Curitiba. Era um tema "...com um arranjo bem conservador, mas mesmo assim, ela cantou muito bem, naturalmente e eu fiquei feliz por vê-la a atuar".

Foram períodos difíceis quando a vocalista se desligou do grupo e com isso os tirou de uma das melhores casas de show da época. Mágoas, ressentimentos ou similares? Não. "Ela comunicou-nos a sua decisão de uma forma decidida, certamente estava convicta de sua escolha. Tudo bem, foi uma aposta válida de sua parte", o baixista não receia em dizer. Luiz, ainda pondera e não poupa elogios à cantora de vida curta em sua banda, confira abaixo:

"A Verônica esmagaria impiedosamente cantoras dessa cena que estouraram, como Paula Toller, Virginie e Dulce Quental entre outras e só encontraria uma rival à altura na Cássia Eller. Por outro lado, estávamos em 1982 e a Cássia só estourou no meio/fim dos anos noventa, portanto, era outra geração".




No Victoria Pub, A CHAVE DO SOL tocou nos dias 1º, 2, 3, 9, 10, 17 e 23 de fevereiro de 1983, com públicos respectivos de 70, 120, 150, 200, 300, 170 e 250 pessoas ("nos assistindo, mas não refletindo o número de pessoas dentro da casa, pois eram muitos os ambientes e as pessoas se espalhavam"). Em março de 1983, tocamos nos dias 2, 9, 10, 15, 22 e 29, com público respectivo de 200, 250, 200, 300, 20 e 15 pessoas nos assistindo. O derradeiro show, ocorreu em 6 de abril de 1983, sem a presença da Verônica Luhr, com melancólico público de apenas 10 pessoas na plateia.

Encerrando este capítulo,  existem duas versões da mesmas gravações d' A CHAVE DO SOL  com Verônica Luhr nos vocais. Primeiro em 2012, o site Orra Meu conseguiu vencer essa batalha contra a "Deterioração temporal do K-7", possibilitando aos fãs poderem ouvir a Verônica ao ler a impressionante passagem dela pela A CHAVE DO SOL.



A gravação da mesma se deu de maneira inusitada. No show de 31/12/1982,  de última hora, Rubens pegou uma fita gravada no seu carro. Espetou-se então um tape-deck caseiro na mesa do P.A. Gianinni com a referida fita K7. Do lado A gravou-se esse show, do lado B, o do Café Palheta's do dia seguinte. Com muita microfonia e sem possibilidade posterior de edição, o K7 ficou guardado por 30 anos, gerando muito trabalho para ser recuperado. 





Só no segundo semestre de  2020 que registros completos com a vocalista Verônica Luhr foram disponibilizados. Trata-se do primeiro volume dos bootlegs, chamado "Ao Vivo 1982 - 1983". Tal lançamento faz parte da série de seis discos piratas oficiais lançados pelo baixista Luiz Domingues. Neste CD as músicas estão completas e com qualidade muito superiores que as disponibilizadas em 2012.





 "(...) o fato é que ela cantava como uma Diva do Soul, Blues e Rock'n' Roll. Se ela tivesse permanecido na formação da nossa banda e se assim nós tivéssemos tido a chance de encontrarmo-nos com um produtor de porte em 1983, quando o BR-Rock 80's explodiu definitivamente na mídia mainstream, teríamos certamente chegado ao estrelato...".

Luiz Domingues.

Voltando ao começo de 1983, três meses de dificuldades se seguiram. Aguarde nosso próximo capítulo!

2 de março de 2016

Conheça a carreira completa do guitarrista Rubens Gióia!


Saudações! Continuando nosso trabalho de apresentar, cronologicamente, as biografias cruzadas do membros d' A CHAVE DO SOL, hoje é dia de abrir os arquivos pessoais do guitarrista Rubens Gióia. O maestro das seis cordas, ele foi o fundador d' A CHAVE DO SOL, seu sonho de infância, grupo que criou aos 12 anos enquanto ainda aprendia a tocar. Rubens é, portanto, o único membro que esteve em todos os shows eventos etc referentes `a A CHAVE DO SOL.



Rubens Gióia em 1985, numa foto que acabou não ilustrando o EP "Anjo Rebelde".

01 . A CHAVE DO SOL (1978-1980).

Formada por Rubens junto com Dedé Maluco (baixo) e Sílvio Sisudo (bateria) , A CHAVE DO SOL, como já foi dito foi seu sonho de adolescência e sua criação, sua obra-prima. A primeira versão da banda se formou após o músico dominar o instrumento e, infelizmente, não deixou registros. "Um sonho de infância não sai fácil da gente" e A CHAVE DO SOL voltaria algumas vezes. Para efeitos de classificação, essa primeira versão da banda é mencionado no blog como "A Chave Não Famosa".

02 . SANTA GANGUE (1980-1981).



Rubens foi membro do SANTA GANGUE, gravando o único registro do grupo, o EP "Rock 'n' Roll pra Valer". Ainda que não apareçam na foto de capa, os dois ex- A CHAVE DO SOL MK I, Gioia e o baterista Sisudo, foram quem gravou o disco e saíram juntos da banda. O grupo, claramente influenciado por THE ROLLING STONES, THE FACES e outros, infelizmente, findou após seu único registro fonográfico. Curiosamente, Charles Gavin do TITÃS, antes da fama, é quem aparece na foto do disco.

03 . MADE IN BRAZIL (1981)


Talvez pela similaridade de estilos, Rubens passou alguns meses pelo MADE IN BRAZIL , à chamado de amigos do baterista Sisudo que também compunha o SANTA GANGUE. Como foram só alguns shows, inexistem registros.

04 . A CHAVE DO SOL (1982 - 1987).


Em 1982, Rubens se juntou com Luiz Domingues e Zé Luis Dinola. O músico se considerava o pior entre os, respectivamente, baixista e baterista. Doravante, passou a "apelar a pirotecnias" como tocar com os dentes, nas costas e muitos trejeitos que faziam sucesso entre os admiradores do trabalho.

Rubens tocou em todos os registros d' A CHAVE DO SOL:

- O compacto "18 Horas / Luz", de 1984;



- O EP "Anjo Rebelde", de 1985;



- As duas demo tapes de 1986;





- O Full-lenght "The Key", de 1987.



Nesse ponto, acreditando que o grupo se tornou "mais mercadológico que artístico", o guitarrista abandonou o barco, e como o nome da conjunto era uma marca sua, A CHAVE DO SOL teve de acabar. O ponto final veio em uma reunião entre o natal de 1987 e o reveillon de 1988. Até então, o lançamento do disco metade em português e inglês, excluindo composições suas como "Saudade", "O que será de todas as crianças" em favor de "A Woman Like You", "Sweet Caroline", foi "o começo do fim".

Os membros remanescentes mudaram o nome do grupo para A CHAVE e lançaram um disco como se chamassem THE KEY.

05 . A CHAVE DO SOL (1989).


Houve de fato, a ideia de remontar o grupo ainda nos anos oitenta buscando a sonoridade do início de carreira. O baterista José Luiz Dinola havia topado, mas o Luiz Domingues declinou, por estar, justamente, na banda dissidente d ' A CHAVE DO SOL, A CHAVE. Não foram realizados ensaios e o plano foi descartado.

06 . PATRULHA DO ESPAÇO (1989-1992).

Sendo recrutado pelo amigo de longa data, e de quem era fã, o baterista Rolando Castello Júnior, Gióia se juntou ao baixista Sergio Santana. O power trio gravou algumas demos em 1990 e chegou a fazer algumas apresentação sendo a volta d' A PATRULHA DO ESPAÇO.



Todavia, uma tragédia atingiu o grupo nesse ano, que foi o falecimento precoce do baixista e vocalista Sergio Santana.

Abalados, mas sem deixar a peteca cair, A PATRULHA DO ESPAÇO foi remontada, adicionando o vocalista Percy, o baixista Rene Seabra (ambos já falecidos) e o guitarrista Xando Zupo (PEDRA, BIG BALLS). Rearranjando muitas temas antigos para a sonoridade Heavy Metal oitentista e lançando dois números, o resultado, sob produção de Paulo Zinner (GOLPE DE ESTADO,) foi o LP "Primus Inter Pares".

O disco, merecidamente, é uma homenagem ao Sergio. Infelizmente, ele só lançado oficialmente um ano após ter sido gravado.



07 . YANKEE (1992 - 1993).

Quando o empresário Aldo Ghetto ouviu o cantor André Cock e conheceu suas ideias para uma banda de Hard Rock, ele soube que tinha em mãos uma chance grande para um grupo de sucesso. Não medindo esforço, Ghetto chamou os melhores para trabalhar com o conjunto, que se chamaria YANKEE, o produtor Marcelo Sussekind, do HERVA DOCE e Rubens Gióia como colaborador.



O guitarrista arranjou todas as músicas, gravou todas as guitarras e ainda compôs alguns temas. Para os shows, a banda teria outra formação. Estava tudo certo para o estrelato, porém o vocalista André Cock, tragicamente faleceu num acidente de carro. Com a morte do lider do YANKEE, a banda nem teria como continuar.

08 . PATRULHA DO ESPAÇO (1995).



Após o fim da banda, o drummer 'n' dreamer Rolando Castello Júnior, se especializou no ramo de Workshops por todo o Brasil. Em um giro específico pelo sul do país, ele chamou conhecidos ex-patrulheiros para tirar a nave do Hangar: Percy, Cockinho (ambos já falecidos) e Rubens Gióia. O grupo ainda teve tempo de fuzuarcar no estúdio, porém, ainda que se cogitasse um álbum, somente uma nova demo de "Gata" nasceu desse trabalho. "Com a Patrulha eu toquei muito, mas gravei pouco", avaliou o guitarrista.

09 . A CHAVE DO SOL (2000 - 2012).

À partir de então, Gióia passou ao ramo do cerimonialismo, atuando na prefeitura de SP em diversos governos. Nessa atuação, Gióia já recepcionou Unctad, Família Imperial Japonesa, Senador Jesse Jackson, Fujimori e até Dalai Lama! Paralelamente `a esta carreira, o guitar-man também se tornou produtor de shows, trazendo nomes como STING, GUNS'N'ROSES e METALLICA ao Brasil.

Ainda assim, sempre havia a vontade de voltar com seu grupo A CHAVE DO SOL. A banda se reuniu para alguns shows esporádicos.

2000 - Musikaos.


Voltando com Zé Luis Dinola e Beto Birger no baixo, a banda fez somente esse apresentação na TV Cultura.

2005 - Heavy Metal Revial.
Realizado no Blackmore Rock Bar um dia depois do show do JUDAS PRIEST no Brasil 10/09, esse evento contou com as bandas VÍRUS, SALÁRIO MÍNIMO, STRESS e abertura do COMANDO NUCLEAR. A CHAVE DO SOL estava originalmente escalada para tocar, porém, o baixista Luiz Domingues estava muito atarefado com o PEDRA e o trio original acabou cancelando.

2007 - Virada Cultural / Blackmore Rock Bar.



Com o vocalista Guto Góis, Gióia fez duas apresentações com A CHAVE DO SOL em 2007. Uma numa só deles numa quarta-feira no recinto rocker na Zona Sul de São Paulo e outro no festival Virada Cultural, a segunda edição. O evento ainda tinha MADE IN BRAZIL, SERGUEI, GOLPE DE ESTADO e PATRULHA DO ESPAÇO.

2012 - Rock na Vitrine.



Realizado na Galeria Olido, próxima `a Galeria do Rock em SP, A CHAVE DO SOL voltou para um único show com Ackua (ex- KNOCK OUT) na voz, THE CROW (ex- INOX) no baixo e Pedro Maprelian na bateria.

10 . GIÓIA, SUCATA & MUSIC-MAN (2014).

Trio de Rock e Blues formado por Gióia, Babu Sucata e Cassiano Music Man para agitar as noitadas paulistanas. A banda está ativa, porém ainda não registrou suas músicas.

12 de outubro de 2015

"Um Minuto Além" com Beto nos vocais (METAL 4).

Gravado ao vivo em show realizado no dia 03 de março de 1986 no salão de festas do Palmeiras, temos aqui uma versão inédita e rara da clássica balada do EP de 1985, só que com Beto Cruz nos vocais. O nome do evento era METAL 4 ROCK SHOW e ainda contou, nessa ordem, com SALÁRIO MÍNIMO, ABUTRE e CENTURIAS, com A CHAVE DO SOL fechando.



Faça download dessa versão aqui:
http://www.mediafire.com/download/tun8a5md8g76dvt/A-Chave-do-Sol-Um-Minuto-Alem-vivo_com_o_Beto.mp3

Material registrado por Cláudio Cruz (do HARPPIA) com masterização efetuada por Edgard "Bolívia" Rock, radialista dos programas MASSACRE SONORO e BAÚ DO ROCK; ambos podem ser ouvidos em http://www.radiorocknation.com/.



Como curiosidade, nesse show, Rubens usou uma guitarra Gibson SG Double Neck de 1966, que o vocalista Beto Cruz havia trazido dos Estados Unidos e estava querendo vender ao guitarrista; que na ocasião não podia arcar com a "nota preta" que ela custava. Além de "Um Minuto Além", o instrumento foi usado também para tocar "Crisis Maya", e segundo o próprio Rubens "foi uma luta" aprender a tocar nela, "pois os trastes são mais juntos".



A CHAVE DO SOL em 1986:

Beto Cruz - Vocal e Guitarra
Rubens Gióia - Guitarra lider
Luiz Domingues - Baixo
José Luis Dinola - bateria

Música "Um Minuto Além" composta por Fran Alves e Rubens Gióia.´



23 de junho de 2015

Percy Weiss: "eu poderia ter sido o vocalista d' A Chave do Sol".

"Só agora fui saber que fui o primeiro cantor, se me dissessem na época talvez eu tivesse ficado", foi como o falecido cantor notório pelas bandas MADE IN BRAZIL, PATRULHA DO ESPAÇO, HARPPIA e QUARTO CRESCENDO relembrou sua experiência como vocalista d' A CHAVE DO SOL em setembro de 1982. A declaração aconteceu em entrevista com Cesar Gavin, do site Vitrola Verde (clique para ler o original). No curto papo, publicado esse mês no youtube, o cantor especifica que, enquanto músico profissional, fez muito trabalhos contratados e cobrando cachê; alguns até do quais não se lembra.



"Na ocasião, entendi que eles ficaram sem cantor e tinham shows marcados", contou Weiss a Gavin, ainda enaltecendo a capacidade técnica d' A CHAVE DO SOL e confessando que adorou a oportunidade de cantar temas como "Tie Your Mother Down" do QUEEN.

Percy Weiss se apresentou com A CHAVE DO SOL no primeiro show da banda, em 25 de setembro de 1982 e depois no dia 29 do mesmo mês e ano, numa canja dada durante a apresentação do conjunto de covers ÁRIES, de quem era muito amigo, no espaço Pierott Lunar no Itaim Bibi em São Paulo/SP.

Willba agradece a Gavin pelo material e os agradecimentos ao site e sua pessoa no final do vídeo.

24 de novembro de 2014

Ano Luz: conheça bandas com mesmo nome que vieram depois.


 Fran Dias, vocalista d' A CHAVE DO SOL entre 1984 - 1985, gravando o EP "Anjo Rebelde", teve uma outra banda chamada ANO LUZ. Grupo anterior ao que o eternizou,  o ANO LUZ encerrou atividades sem deixar registro oficial, voltando a  ser falada entre os rockers nos anos 2000, quando o vídeo de "Estrelas (Testemunhas Inválidas)" ganhou destaque no youtube. A demanda pelo conjunto foi tal que o único EP gravado pela banda foi liberado para download gratuito e existe o projeto de recuperação de um bootleg registrado no Teatro Lira Paulistana na fase final do ANO LUZ.

Porém há muito mais sobre o que falar desse grupo seminal que só teve um ano de duração. Uma curiosidade impressionante, é que, até onde apuramos, existiram duas outras bandas brasileiras chamadas ANO LUZ!!! Vamos as conhecer!

O ANO LUZ DA NOVELA.



O primeiro homônimo do ANO LUZ (de Heavy Metal), é uma banda de Pop Romântico, que era fez parte da trilha sonora nacional da rede globo TRANSAS & CARETAS.  O disco que registra as músicas do programa ainda incluía entre ícones da MPB, nomes bem conhecidos dos roqueiros como HERVA DOCE e ULTRAJE À RIGOR. Não obstante os músicos do homônimo serem bem competentes e produzidos, sumiram tão logo a novela global saiu do ar; nos dando a entender que eles começaram depois do ANO LUZ "metal" e encerraram as atividades antes.



Ainda no pique do sucesso que foi TRANSAS & CARETAS (cujo enredo incluí uma mãe que faz uma cirurgia que a rejuvelhece 20 anos tetando se aproximar dos filhos; um que é todo moderninho e outro que é monarquista e possuí uma escrava -- ??!?!?), o "Ano Luz da novela" lançou um compacto simples com as músicas "Eterno" e "Realegrar" antes de desaparecer.

Confira a faixa "Eterno":
http://www.mediafire.com/?3npe82d40u33wsd


A ALIANÇA DOS TEMPOS

Um edição especial da revista Show Bizz chamada "Heavy", do começo de 1987 e que falava sobre o final do ano anterior, registrou o segundo homônimo do ANO LUZ. Reparando o destacado na imagem abaixo, lesse que o ANO LUZ tocou com o GOLPE DE ESTADO e HARPPIA com o Percy nos vocais... mas espere! Quando o ANO LUZ acabou, ao final de 1984, a primeira banda ainda nem existia e o Harppia ainda se chamava AEROMETAL. O texto ainda gerava confusão pois esse ANO LUZ fazia uma "ópera Hard Rock" e assim como o verdadeiro, também tocou na Praça do Rock.




Infelizmente, a curtíssima resenha não dá informações de quem eram os músicos desse ANO LUZ e qual seria o estilo de Rock Pesado deles. Tal conhecimento só pode ser obtido por meio de uma nota encontrada na edição número 24 da Revista Rock Brigade, de 1987. Pela leitura desta, concluímos que o terceiro ANO LUZ foi formado por músicos desconhecidos (exceto pelo tecladista), que acabou sem registro fonográfico. Ainda que o grupo tenha se apresentado na Praça do Rock e feito uma temporada enorme, 07 shows, no Centro Cultural de São Paulo (lugares grandes), parece que as únicas lembranças registradas da banda estão em quem esteve nesses shows e nas linhas que apresentamos escaneadas.

























E sim, o tecladista, Fábio Ribeiro, é o mesmo que posteriormente faria parte da fase final d' A CHAVE DO SOL, quando o grupo se chamava A CHAVE, antes de conhecer fama e reconhecimento no ANGRA.

Pedimos ajuda de quem possuir material ou qualquer informação adicional sobre essas bandas, pois o propósito é sempre fazer crescer o acervo acerca do Rock Pesado brasileiro.

Encerramos aqui nossa viagem por essas curiosidades acerca do ANO LUZ. Espero que todos tenham apreciado o passeio!

Nota do autor: é impossível existir, ou haver existido, qualquer outro grupo chamado A CHAVE DO SOL. Seria muita coincidência descobrimos homônimos de um nome tão original e diferente (e com exposição muito maior).

11 de setembro de 2014

Participação em comercial da Mesbla em 1986 junto com outros artistas da cena oitentista.

Em 1986, a marca Mesbla resolveu se desmembrar em outras cinco grifes. Uma delas, chamada Alternativa resolveu investir no Rock. Para isso, promoveu alguns shows de rock'n'roll pelo Brasil e gravou um comercial de lançamento (em 35 mm) para a televisão onde alguns músicos militantes da cena rocker de São Paulo atuaram como figurantes. Entre eles, A CHAVE DO SOL!

Confira abaixo!



"Dá para ver bem o Zé Luiz Dinola (tocando baixo, aliás o meu...), e o Rubens Gióia. O Beto Cruz ficou mais discreto na edição final.Eu não participei", conta o baixista Luiz Domingues ao blog: A CHAVE DO SOL. "Vale como registro exótico e obscuro pelo qual nossa banda passou, apesar de nesse caso, ter sido uma mera figuração e nada ter a ver com o nosso trabalho", avalia Domingues assistindo ao comercial quase 30 após a gravação do mesmo.

Produzido pela TV Center do Rio de Janeiro em 11 de agosto de 1986 e filmado no Sesc Pompéia, São Paulo, o comercial tem como banda sonora a música "A Moda Muda o Mundo", composta por Bernardo Vilhena (poeta, compositor de vários sucessos como "Menina Veneno" e "Corações Psicodélicos") e Ricardo Barreto (ex- guitarrista BLITZ),  que segue a cartilha do Pós-Punk que dominava o mainstream naquele período dos anos 1980.

Posteriormente, a marca Alternativa passou a se chamar Alternativa Nativa, sendo sua única ligação com A CHAVE DO SOL a propaganda acima.

26 de fevereiro de 2014

Segundo capítulo da biografia da banda.

"Sim, foi uma emoção diferente estar às vésperas da estréia com A CHAVE DO SOL, pois sentia que finalmente estava reativando o sonho primordial, e acalentado no tempo do BOCA DO CÉU (...) Foi o estopim de uma carreira vitoriosa e que arrebatou fãs, sendo objeto de discussão permanente nos foruns sobre o Rock brasileiro".
Luiz Domingues.´

ESTREIA A PESO DE OURO: de Setembro a Outubro de 1982.

Para debutar nos palcos A CHAVE DO SOL contratou o, já então, veterano vocalista Percy Weiss. Havendo passado pelos grupos MADE IN BRAZIL e PATRULHA DO ESPAÇO, naquela época Weiss estava sem trabalho autoral, tocando covers na noite por dinheiro. Após ligação telefônica, o vocalista os recebeu em seu apartamento, localizado no cruzamento da Av. Brigadeiro com a Av. Paulista, em São Paulo. Em sua autobiografia, o baixista Luiz Domingues, avalia que o cantor tratou o grupo com altivez. Os jovens músicos estavam diante de alguém que admiravam e assumiram postura subserviente. Ainda que não tivessem a experiência do cantor, Rubens já havia lançado um EP com o SANTA GANG (ver edição anterior), assim como Domingues; que havia registrado o single ao vivo "Sem Indiretas" do LÍNGUA DE TRAPO. O baterista Zé Luis não havia gravado disco ainda, mas foi considerado pelo cantor como sendo "ortodoxo".



Ao contratar Percy Weiss para o primeiro show, A CHAVE DO SOL fez sua primeira dívida. O motivo foi que para garantir a presença da estrela, o guitarrista Rubens Gióia ofereceu ao músico um cachet maior do que o combinado anteriormente com o trio. O cantor não recusou. Ainda que com certo distanciamento, Weiss agiu profissionalmente nos ensaios, que foram realizados no próprio "Deixa Falar", por cortesia da proprietária do local, a Dona Sabine.

A nascente A CHAVE DO SOL dependeu também da amizade de Rolando Castello Júnior, baterista da PATRULHA DO ESPAÇO, que emprestou pedestais, caixas, microfones e um multicabo que acoplado ao P.A. que Domingues trouxe consigo do TERRA DE ASFALTO, possibilitou qualidade sonora "decente" à estreia. O "Deixa Falar" não tinha mais todo potencial de luz dos tempos que era o "Be Bop-a-Lula", já que alguns spots não mais acendiam e muitas gelatinas estavam pálidas. Sabendo que o público seria predominantemente de parentes e amigos, ficou resolvido fazer tão somente poucas filipetas, dispensando os cartazes.



Chegada a grande noite, os músicos às 16 já estavam com o palco montado e após passar em seus lares para se alimentarem, banharem e apanharem o visual de palco, às 20 horas todos voltaram ao Café Teatro. Sobre a filipeta acima, ocorreu um erro ortográfico no nome do vocalista contratado. Desculpas foram pedidas, mas se houve falha gráfica na esparsa divulgação, o show ocorreu magnificamente bem. A banda foi aplaudida fervorosamente. O público pagante foi de sessenta pessoas, entre elas o poeta Julio Revoredo, que seria parte fundamental da A CHAVE DO SOL no futuro. Pontualmente à 21 horas A CHAVE DO SOL ganhou o palco. Muitos podem estranhar este horário, mas em início dos anos 1980, os shows de rock mantinham o padrão das peças teatrais. Dos anos 1990 para cá ficou o costume das bandas começarem as apresentações depois da meia-noite.

"A primeira música foi "Purple Haze", do JIMI HENDRIX EXPERIENCE seguida de "Foxy Lady" e "Wild Thing", com o Rubens cantando. O Percy quis começar só na quarta música, para entrar de forma triunfal, e aí tocamos "Black Night", do DEEP PURPLE (...) a última música, foi , "Listening to you" do THE WHO. Deixamos "18 Horas" para o final do show, e curtimos demais a acalorada recepção do público".

Com a renda foi possível pagar o cachet "astronômico" que o Rubens havia prometido ao Percy. Sobrou uma parcela ínfima, guardada para investir na banda. Esse não foi o "único show" com o vocalista. O trio foi convidado pelo mesmo para tocar numa canja, no intervalo de uma banda cover relativamente famosa da época, chamada ÁRIES, numa apresentação no bar "790", que havia mudado de nome para "Pierrot Lunar", no bairro do Itaim-Bibi, a ser realizada na quarta-feira seguinte. Essa apresentação foi armada pelo próprio Percy, que era muito amigos dos músicos do ÁRIES.

Domingues, Gióia e Dinola na época dos primeiros ensaios na casa do guitarrista.
A CHAVE DO SOL ficou ponderando se esse seria um sinal de que o famoso cantor havia gostado da banda e doravante se tornaria um membro oficial. Não obstante ser meio de semana, a casa estava lotada, pois era uma festa fechada. No intervalo do show do ÁRIES, A CHAVE DO SOL, tendo o Perçy Weiss como vocalista, subiu no palco e tocou quatro sons covers (só tinha uma própria, instrumental, e o vocalista queria estar no palco o tempo todo). Por um joguete do destino, o apresentador Goulart de Andrade, do programa global "Comando da Madrugada" entrou na casa para entrevistar alguns presentes e filmou a banda!

"Os membros da banda ÁRIES, ficaram revoltados, pois a equipe da Rede Globo, filmou bem na hora em que estávamos nós no palco, e não eles, e pior: usando o equipamento deles...".

Uma semana depois, A CHAVE DO SOL, sem ser citada, apareceu na televisão tocando "Black Night". Essa foi a primeira aparição em televisão da banda, porém infelizmente (por outra circunstância do destino), o registro em VHS da mesma foi perdido. Voltando ao show, ao final do mesmo o Percy  procurou a banda, agradeceu a participação, e lhes disse, que não obstante ter gostado do grupo, que tinha outros projetos etc, encerrando assim sua participação na A CHAVE DO SOL.




Com o Rubens Gióia assumindo temporariamente os vocais junto à guitarra, a banda saiu marcando mais shows como power trio. Duas datas novamente no Café Teatro Deixa Falar aconteceram, 22 e 23/10, mas sem aquele "boom" da estreia, e tendo público de 10 pagantes em cada...A Dona Sabine havia novamente ajudado a banda, com um conhecido na "Folha da Tarde", atualmente chamado de "Agora", a dona do bar possibilitou a publicação de uma mini-matéria sobre a banda (ver foto na edição anterior); a primeira vez que saíram na grande mídia!

Ainda que a proprietária do antigo Be Bop-a-Lula estivesse sendo muito amiga, a banda buscou seu próprio espaço para ensaio. Por iniciativa de Gióia, que pediu a seus pais, um quarto bem grande que estava vazio em sua residência, que ficava na Rua Desembargador Aguiar Valim (uma travessa da Av. Santo Amaro, bem próximo ao Hospital São Luiz) se tornou o estúdio d' A CHAVE DO SOL. Dali em diante, durante quatro anos, aconteceram ensaios diários, quase sem interrupções, até 1986.

"Isso explica porque ao vivo, A CHAVE DO SOL tinha um padrão de excelência, pois tínhamos uma disciplina férrea. Ficávamos horas ensaiando, repetindo trechos até nos darmos por satisfeitos com a performance alcançada (...)Nos reuníamos todos os dias, das 15:00 às 22:00 em ponto. Muitas vezes, olhávamos no relógio e se faltassem dois minutos para as dez da noite, propúnhamos repassar algum detalhe para aproveitar aqueles poucos segundos. Sei que parece exagerado (e era...), mas vendo pelo lado positivo, que força de vontade"!!

Nesse inteirim, novas composições surgiram. "Luz" (Domingues), que foi carro-chefe do primeiro registro fonográfico da banda, um rock'n'roll tradicional com letra mezzo esotérica foi a primeira delas. A segunda, "Intenções" (Gióia, Dinola e Domingues), é um belíssimo jazz-rock cantando pelo baixista com letra de cunho ecológico que nunca conheceu gravação oficial.





Foi então que, novamente, o guitarrista se lembrou de alguém que ele vira se apresentando e poderia topar ser vocalista na A CHAVE DO SOL. Esse pessoa era totalmente diversa do Percy Weiss... não só em idade, carreira, como até em gênero!

Confira no terceiro capítulo.

3 de dezembro de 2013

Capitulo inicial da Biografia da banda

Em outros momentos deste site já esboçamos um projeto de biografia d' A CHAVE DO SOL. Começamos com os anos finais da banda, 1988-91, depois abordamos a fase Verônica Luhr, entre o fim de 1982 e o princípio do ano seguinte. À partir de agora, entretanto, nos valeremos da autobiografia da banda, escrita pelo baixista e amigo Luiz Domingues em seu blog, para recontar e reescrever este capítulo marcante do rock pesado brasileiro. O que você, intrépido leitor encontra aqui não é a transcrição literal dos textos do membro fundador feitos com base em postagens no orkut, mas uma remontagem deles; transmutação essa que esperamos que seja do vosso agrado.

"Portanto, A CHAVE DO SOL representava para mim, a chance de reativar o sonho primordial, interrompido há pelo menos 3 anos".
Luiz Domingues.

FORJADA NO SOL DE DOIS SONHOS: de Julho a Setembro de 1982.

Começando sua carreira em 1976, o baixista Luiz Domingues tinha o sonho de ser um não um mero músico ou artista, mas um rocker. A luta para começar a trazer para realidade o que antes estava no reino onírico, começou com a banda BOCA DO CÉU. Após três anos, não obstante não ter gravado registro, que foram compostos, o grupo se metamorfoseou no LINGUA DE TRAPO, que por suas letras mais cômicas, se afastou do ideal rock'n'roll. O mesmo se deu em acompanhar artistas de brega e MPB, o mais perto do rocker que nosso baixista chegou foi o TERRA NO ASFALTO, porém essa era uma banda cover.



O guitarrista Rubens Gióia partilhava deste mesmo ideal, porém sua incursão pela realidade de Morfeu e dos mundanos foi diferente. Ele acabara de lançar o EP "Simplesmente Rock'n'Roll" com o grupo SANTA GANG, que revelou o baterista Charles Gavan dos TITÃS. Entretanto, sua primeira banda se chamava A CHAVE DO SOL, com o qual ele se apresentou em diversas shows menores entre 1978-80 (um deles abordado na entrevista feita para este blog). Neste ínterim  A CHAVE DO SOL esteve desligada e ele continuava à busca de músicos rockers que partilhassem desse seu ideal.



Desanimado e incomodado com o fato de tocar covers, o TERRA NO ASFALTO estava resumido ao guitarrista Gereba e o vocalista Paulo Eugênio, além do referido baixista. Na tentativa de reformular a banda, a Dona Sabine, francesa radicada no Brasil que era proprietária do "Café Teatro Deixa Falar", sugeriu a Luiz Domingues um jovem guitarrista que namorava, na época, a sua filha, chamado Rubens Gióia. O TERRA NO ASFALTO desde então se desfez, cedendo sua luz à versão definitiva d' A CHAVE DO SOL.

Começaram os ensaios entre os dois novos amigos na casa do guitarrista. Ainda que já tivesse pensando em José Luis Dinola para a bateria, o vaga ficou para Edmundo. Este era amigo do vocalista do TERRA NO ASFALTO, já havendo cedido sua casa para ensaios e ainda que não tocasse regularmente, Domingues acreditou que a amizade valeria o convite. Foram dois ensaios realizados no próprio "Deixa Falar", no qual o baterista demonstrou técnica, comprometimento e entusiasmo, ainda que visivelmente afetado pela falta de prática. No terceiro encontro, Edmundo não apareceu sendo a dupla comunicada pelo pai do baterista que ele se afastaria do grupo por questões pessoais.



Luiz então convenceu Rubens a chamarem Luis Dinola. Os xaras se conheceram em 1980, quando o guitarrista Pitico, irmão de um amigo do baixista chamado Pituco (com quem Luiz participou de uma banda paralela chamada CONTRABANDO), o chamou para alguns ensaios como power trio. Foram feitos somente três ensaios. Porém da dissolução deste veio, dois anos depois, a ideia que gerou a formação clássica da A CHAVE DO SOL.

 O nome A CHAVE DO SOL era composto, enorme, com preposição e artigo, dúbio, portanto sujeito à interpretações errôneas e um tanto piegas".
Luiz Domingues.

Desde o primeiro o nome da nova banda seria A CHAVE DO SOL. O dois outros membros não o aceitaram de princípio, porém acabaram concordando com o argumento sentimental do guitarrista e do significado afetivo deste. O nome porém gerava curiosidade e interesse por parte dos fãs, dando grande visibilidade ao conjunto. Negativamente, ele era constantemente fonte de constrangimento na mídia (onde era grafado ou pronunciado erroneamente). Posteriormente, com saída de Gióia em 1988, o grupo passaria a ser chamar A CHAVE, nome homônimo ao grupo paranaense dos anos 1970.

Entretanto, e voltando a 1982, o nome "colou" tanto instantaneamente como a nova formação e os ensaios de seguiram com a criação da música próprio "18 Horas", que inicialmente se chamaria "Rush". Como covers, o trio levava JIMI HENDRIX EXPERIENCE, TEN YEARS AFTER, DEEP PURPLE, QUEEN, MUTANTES, JEFF BECK, NIEL YOUNG e ROLLING STONES. Entrosamento de vento em pompa, o guitarrista e vocalista Rubens Gióia marca, polemica e temerariamente a apresentação de estréia d' A CHAVE DO SOL.


Primeira foto d' A CHAVE DO SOL publicada na grande mídia.

O grupo debutou no palco no dia 25 de setembro de 1982, no "Teatro Cafe Deixa Falar". Para este show de estreia, A CHAVE DO SOL contou com um vocalista convidado, pois não obstante o Rubens cantar afinadamente, eles sentiam a necessidade de um frontman. Novamente, Gióia teve um repente polemico e radical de quem se encarregaria do microfone nesse pontapé inicial.

Quer saber quem? Espero nosso próximo capítulo.

27 de maio de 2013

O lançamento literal do disco do primeiro disco.

Um fato pitoresco na carreira d' A CHAVE DO SOL acaba de ser divulgado no youtube. Trata-se de quando, ao arremessar para a platéia um disco da banda no formato compacto, o baixista Luiz Domingues fez o vinil ir parar no teto do teatro do teatro do Sesc Pompéia. O cômico incidente ocorreu no dia 26 de junho de 1984, durante a apresentação de duas músicas do grupo no programa A Fábrica do Som, na tevê Cultura. Confira abaixo:



Pensando que essa cópia do primeiro registro fonográfico da banda havia sido perdido, o baixista foi surpreendido no camarim quando um fã apareceu com o referido disco para ser autografado. Atônito, Domingues não pode deixar de perguntar como o sujeito havia tido coragem de escalar a parede do teatro para acessar o teto. A resposta foi ainda mais surreal: ele estava acostumado a realizar tais ações, pois era bombeiro.

Antes do "lançamento literal" do disco, a banda havia executado a música "Luz":



Depois disso,  A CHAVE DO SOL encerrou sua quinta participação no programa de televisão com a música "Anjo Rebelde". Detalhe que essa versão, anterior à entrada do vocalista Fran (que à época estava no ANO LUZ), é diferente da que ficou imortalizada no E.P. lançado em 1985, também pela Baratos Afins.  Assista no vídeo abaixo:




Os créditos pelos vídeos vão para o portal Orra Meu, (http://orrameu.com/), novamente disponibilizando material história d' A CHAVE DO SOL para os fãs.

A CHAVE DO SOL:

Rubens Gióia - Guitarra e Voz.
José Luis Dinola - Bateria e Voz.
Luiz Domingues - Baixo e Voz.

5 de dezembro de 2012

Entrevista inédita com Rubens Gióia

Saudações! Orgulhosamente vos apresento um dos conteúdos criados exclusivamente para o nosso blog. Trata-se de uma entrevista inédita com o guitarrista e membro fundado d'ACHAVE DO SOL, o guitarrista Rubens Gióia. Esse papo foi conduzido por mim com uma pauta dupla: o momento atual da banda e curiosidades históricas.
Como minha formação não é em jornalismo, optei em conduzir a pequena entrevista - feita por e-mail - com perguntas bem abertas, que possibilitassem ao interlocutor (Rubens, no caso), discorrer à vontade; ainda sob o risco de se perder o objetividade da réplica. Também não quis perguntas diretas ou "bobinhas" (exemplo, 'o que você está achando do blog), no intento de ir ao ponto do que interessa à todos nós, fãs de Hard Rock. Deixe sua opinião, dúvida ou sugestão no espaço de comentários e ótima leitura!

O CACHORRO QUE CURTIA BLUES, O QUE É E O QUE PASSOU.

por Willba Dissidente*.


Rubens Gióia no Victoria Pub em 1983
Rubens Gióia no Victoria Pub em 1983.


01 . Quando a banda carioca METALMORPHOSE voltou à ativa em 2009, comemorando os 25 de seu primeiro disco, eu conversei – informalmente – com o baixista André Bighinzoli, que me contou sobre os planos do grupo de relançamentos e gravação de material inédito. Ao longo destes 03 anos, muito do que ele me contou realmente aconteceu. Então, eu pergunto, quais são os planos de retorno d ‘ A CHAVE DO SOL? Em boas palavras: o que devemos esperar dessa volta?

Rubens Gióia: A expectativa era grande...mas tanto o Zé hoje no VIOLETA DE OUTONO e o Luiz na banda PEDRA inviabilizam...quase aconteceu, mas como estão trabalhando ativamente não foi possível. Com a aquiescência deles montei uma nova formação, até porque A CHAVE DO SOL é uma franquia minha, criada quando eu tinha 14 anos, e está em estudos...quem sabe em algum momento uma reunião seja possível, nos damos bem.

02 . Cada uma das vezes que A CHAVE DO SOL retornou, você trouxe consigo uma nova formação, sempre com músicos expressivos e experientes em rock pesado. Como foi o processo de seleção do time atual d ‘ A CHAVE DO SOL?

Rubens Gióia: Respeito musical e amizade...basicamente...e respeito à essência da Chave.

Rubens ao vivo no  Clube Sete Praias, em Interlagos (São Paulo), durante o "Outubro Music Festival", 1986.
03 . A CHAVE DO SOL é um grupo que passou por muitas mudanças de estilo dentro do rock pesado, indo da linha do jazz-rock ao hard rock mais comercial, por vezes em músicas com aura de heavy metal; alterando, gradualmente, as composições do português para o inglês. Com que temática, estilo e língua você preferiria compor músicas novas com a banda?

Rubens Gióia: A Chave mais notória, que se pautava pelo perfeito entendimento do Zé, mais jazzista, e o Luiz, um músico completo e eclético...acho que o peso vinha das minhas mãos...

04 . Quando você não quis mais continuar com a banda em 1987, o sucederam guitarristas que se tornaram muito famosos no metal nacional – Eduardo Ardanuy (DR. SIN) e Kiko Loureiro (ANGRA). Estes músicos, entretanto são de outros gêneros musicais de metal, enquanto que você manteve-se no ‘mesmo estilo de som’ na PATRULHA DO ESPAÇO e no YANKEE. Você nunca cogitou fazer um outro estilo de mais aceitação comercial para atingir maior sucesso?

Rubens GióiaNunca entendi arte como comércio, apesar de querer subsistir dela...saí justamente porque A CHAVE DO SOL estava tomando rumos mais mercadológicos que artísticos.


05 . O grupo mineiro HOLOCAUSTO fez um disco, Campo de Extermínio (1987), abordando o nazismo de maneira que há muitos que o acuse de apologia ao regime de exceção. A CHAVE DO SOL possui músicas que tem postura política oposta à citada, denunciando desigualdades sociais e a opressão. Quem assistiu o documentário “Ruido das Minas (2009)” viu o HOLOCAUSTO afirmar que apenas contava uma história da Segunda Guerra Mundial e não apoiava o Reich. E A CHAVE DO SOL, uma música como Sun City somente conta a história da lutas dos negros, ou a banda acreditava na mensagem passada?

Rubens Gióia: No nosso caso acreditávamos e certamente acreditamos...sempre achamos que a arte é uma arma poderosa...temos posições humanísticas e achamos que pudéssemos ser um instrumento de conscientização...não panfletária nem partidária, mas a serviço de levar opinião e esclarecimento...quem foi às nossas gigs no Lira Paulistana viu uma mistura de som, performance, literatura e atitude...creio...

A CHAVE DO SOL clássica, antes da gravação do primeiro compacto. Zé Luis (bateria), Luiz Domingues (baixo) e Rubens Gióia (guitarra).
06 . Conversando com Nivaldo da loja STAND UP, galeria do rock de São Paulo, ele me contou que quando tocava com a banda SUBURBIO (que incluiu o guitarrista Edgar Scandurra) fez um show com A CHAVE DO SOL na Av. Ibirapuera numa casa chamada APonto. Isso ocorreu entre 1978 e 1980, época que o grupo contava com Dedé e Silvio, antes do início oficial da banda em 1982. A CHAVE SOL antes do Luiz Domingues e do Zé Luis era o mesmo grupo? Há alguma estória interessante dessa época que você queria contar ao blog?

Rubens GióiaTá bem informado, hein? Realmente...foi uma das casas mais bacanas que conheci...Aponto...como falei, A CHAVE DO SOL foi um sonho meu de adolescência...nesta busca entrei na SANTA GANGUE e lá conheci estes tipinhos que compraram meu sonho...posso dizer que A PATRULHA DO ESPAÇO, na pessoa do Jr (nota: Rolando Castello Júnior) , foi o Grande padrinho...o conheci neste bar e ele abriu a casa dele pra que eu assistisse ensaios e até emprestar equipamento pra essas gigs no bar...vale ressaltar uma vocalista que tivemos, a Verônica...uma moça de 1.80 modelo loira com a voz da Tina Turner, que eu conheci num bar chamado Deixa Falar, antes be bop alula que lançou MUTANTES e TERÇO...aliás, palco da primeira jam da CHAVE DO SOL mais conhecida...a primeira vez em que tocamos juntos eu, Zé e Luis, compusemos 18h, que seria nosso primeiro “hit”. Além de Scandurra, neste bar eu vi o grande guitarrista Renato Ribeiro e o embrião do ULTRAGE À RIGOR, entre outros... O Aponto bar virou uma segunda casa pra mim...conviver com músicos desse naipe foi determinante...interessante é que havia um São Bernardo, o cão mesmo, que só saía da casinha dele quando se tocava blues...o palco era suspenso e ele se posicionava em baixo e à frente uivando...AUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!...tempos bons, honestos e livres...

Agradecimentos especiais aos amigos Rubens Gióia, pelo tempo e atenção, e ao Luiz Domingues, que cedeu as imagens que ilustram essa matéria.

* Willba Dissidente é fã das bandas de Hard Rock e Metal das décadas de 70 e 80, dois mais variados países. De maneira diletante, ele escreve no site Whiplash, edita vídeos e legenda curtas, longas e média-metragens; além de ter se envolver com eventos de Rock esporadicamente. "Tratamento mainstream ao underground" é seu lema em todos esses hobbies.